“Realizar uma conferência é muito fácil. Quero ver agora é tirar ela do papel”, avaliou a jornalista e professora Ana Veloso, do Fórum de Mulheres de Pernambuco durante o seminário promovido pelo Fórum Pernambucano de Comunicação, nesta terça-feira, dia 25 de maio. O encontro, realizado na Fundação Joaquim Nabuco, Derby, teve o objetivo de avaliar os desafios e oportunidades para a execução das propostas que foram aprovadas nas etapas estadual e nacional da I Conferência Nacional de Comunicação.

Para Cecília Bizerra, do Coletivo Intervozes de Comunicação Social , que também foi convidada a participar, um passo importante é mesmo ‘colocá-la no papel’. Já se passaram mais de cinco meses e o documento oficial da Confecom ainda não foi publicado”, reclamou Cecília, que também trabalhou como secretária executiva da Comissão Nacional Pró-Conferência no ano passado. A CNPC, por sinal, já voltou a se reunir e deverá cobrar a publicação das 672 propostas na audiência pública sobre a Confecom, que foi convocada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB/SP) para o próximo dia 10 de junho, em Brasília.

Em Pernambuco, algumas propostas já começaram a se materializar, mas precisam da força popular para que sua implementação seja garantida. “O processo de reformulação da TV Pernambuco é importante. Mas se a sociedade não estiver presente em todos os momentos, inclusive para defender essas mudanças, podemos ver o barco afundar antes mesmo de começar a navegar”, pontou Ivan Moraes Filho (Centro de Cultura Luiz Freire /Movimento Nacional de Direitos Humanos), que representa o Fopecom no Grupo de Trabalho de reformulação da emissora.

Mesmo no estado, a lista de pautas prioritárias precisa ser definida o quanto antes, para que as reivindicações dos movimentos sociais possam ter mais respaldo. “Aqui foram 550 propostas. Quantas dessas podem se resolver aqui mesmo? Quantas delas são prioritárias? Quem são nossos aliados? Quem são nossos parceiros estratégicos?”, questionou Ivan.

Ana Veloso listou alguns pontos que indicam um caminho a ser perseguido pelas entidades que lutam pelo direito à comunicação em Pernambuco.”Além da TVPE, ainda temos que estar perto do projeto da Rádio Frei Caneca para que ela possa ser realmente pública. Também precisamos chegar mais perto de grupos da academia, como o Nucleo de Documentação de Movimentos Sociais, da UFPE. O Plano Nacional de Banda Larga também precisa ser discutido aqui. As lan houses podem fazer parte dessa discussão? E a turma do software livre?”.

Público e debatedores/as pontuaram que, em tempos de eleições, é fundamental pautar as discussões sobre o direito à comunicação entre candidatos de todas as colorações e em todos os níveis. “Depois que pactuarmos nossas prioridades, temos que comprometer tanto o governador que tenta a reeleição quanto o candidato da oposição. Afinal de contas, a Confecom foi da sociedade e suas propostas não pertencem a governo nenhum”, sugeriu Ivan.

Cecília, que faz parte da equipe de Luiza Erundina, atentou para a importância do poder legislativo. “Precisamos, em todo o Brasil, eleger deputados/as e senadores/as que compactuem com nossas propostas. A bancada dos radiodifusores é forte, assim como a das empresas de telecomunicação. Nós ainda somos frágeis no congresso e isso acaba fazendo com que muita coisa fique travada nas casas legislativas”.

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