radio u2Ventos de mudança parecem mesmo soprar nos veículos que podem vir a formar um sistema público de comunicação em Pernambuco. Enquanto a TV Pernambuco teve sua diretoria renovada e montou um Grupo de Trabalho para planejar sua reformulação, a Rádio Universitária FM (99,9 no dial), cuja concessão pertence à Universidade Federal de Pernambuco, também está sendo repensada. Para isso, a direção do Núcleo de Rádio e TV da UFPE contratou o consultor Patrick Torquato. Radialista com experiência em rádios públicas, Torquato têm realizado reuniões com diversos sujeitos interessados em discutir mudanças na emissora.

Embora o trabalho ainda esteja em andamento, é provável que entre as propostas encaminhadas esteja a contratação imediata de mais profissionais, a instituição de uma organização social ou fundação para dinamizar a gestão da rádio e a instituição de um conselho com integrantes da UFPE, da sociedade civil, funcionários da emissora e representantes do governo estadual. Essas sugestões foram discutidas no encontro que Torquato teve com integrantes do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom), esta semana. Na ocasião, consultor recebeu sugestões não só de representantes da sociedade civil, mas também de integrantes do grupo que hoje – quase heroicamente –  coloca a rádio no ar. Os problemas da Universitária FM vão desde a falta de equipamentos atualizados até a ausência de um mecanismo claro de avaliação de possíveis programas.

“A equipe é reduzida e fazemos o que podemos com as condições que temos. Não falta esforço. Mas realmente é preciso uma discussão política mais ampla para que nossos problemas – especialmente os financeiros – possam ser superados”, argumentou o radialista Roberto Souza, que comanda o programa Redator Comunitário, todos os dias, a partir das 5h.

Para Ivan Moraes Filho, do Centro de Cultura Luiz Freire e do Fopecom, é preciso que a UFPE defina seu papel tanto nas Rádios Universitárias AM e FM quanto na TVU. “Muitas vezes a impressão que a gente tem é que a UFPE é, para o Núcleo de RTV, como um pai ausente que largou a família. Desses que não quer tomar conta das crianças nem pagar a pensão alimentícia”, comparou. “Na hora de discutir a rádio, não podemos nos ater apenas à programação. Temos que falar de gestão, de sustentabilidade, pessoal, tudo. Quanto ao conteúdo, mais do que tudo, é preciso critérios. É preciso que haja um caminho institucional para receber, avaliar e exibir conteúdos que venham a ser propostos pela produção independente”.

reuniao radio U“Há diversos grupos da juventude, por exemplo, que poderiam produzir seus próprios programas e não sabem como fazer. A criação de um conselho que, entre outras funções, participasse da formatação da grade de programação, seria muito importante”, concordou Rosa Sampaio, do Auçuba.

O novo diretor-presidente da TV Pernambuco Roger de Renor também esteve presente. O articulador cultural mais uma vez defendeu que produtos de comunicação financiados por recursos públicos sejam transmitidos pelas emissoras públicas de rádio e televisão. “Temos uma produção de qualidade indiscutível e diversa. Só o edital de audiovisual do governo do estado vai trabalhar esse ano com R$ 6 milhões para os independentes. Mas esse conteúdo precisa ser veiculado. É importante reconhecer todo o trabalho que os funcionários e parceiros da rádio têm realizado com as dificuldades que tem. Essa turma tem um papel fundamental até para podermos melhorar o que a emissora já tem de bom”.

Torquato espera concluir seu trabalho nas próximas semanas. “Até o final do mês, devo apresentar meu relatório para a direção da rádio e vou sugerir sua divulgação para que a sociedade possa acompanhar os possíveis encaminhamentos”, avaliou o consultor. O radialista acredita, porém, que para haver mudanças de fato, é preciso que o Núcleo de Rádio e TV passe por uma reestruturação jurídica e administrativa. “De todo modo, esse é um processo que não pode ser açodado. Acho que vamos precisar de uns 10 ou 12 meses para que as mudanças realmente possam ser implementadas”.

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