*Josuel Mariano da Silva Hebenbrock.

‘A comunicação é a mensagem.’. Com esta frase Marshall McLuhan vem revolucionando o mundo há quase 50 anos. Na sua concepção, qualquer tecnologia cria gradualmente um meio ambiente humano inteiramente novo. Se observarmos de uma perspectiva contemporânea, esta premissa vem sendo comprovada desde o dia 25 de janeiro, quando a população da Tunísia saiu às ruas pedindo liberdade de expressão, novas estruturas governamentais e a saída imediata do presidente da república, Zine El Abidine Ben Ali. De acordo com o ministro do Exterior britânico, William Hague, “as demonstrações e as derrubadas de ditadores nos países árabes mostram que as redes sociais como Blogs, Facebook, Youtube e Twitter são de grandes valias quando o seu interesse é a mobilização de uma massa.”

Para o pesquisador e professor de Novas Mídias, Hans Kleinsteuber da Universidade de Hamburg – Alemanha, “a tecnologia 2.0 e 3G** não são importantes apenas para movimentar massa com sua respectiva comunicação, porém também são importantes para conhecimento de informações que estão do outro lado de nossas fronteiras” (Die Zeit, 25.03.2011). Esta mesma força de que fala McLuhan e que é defendida pelo professor Kleinsteuber destituiu o presidente da Tunísia, contagiou o povo egípcio durante 18 dias contra o sistema autocrático de Mubarak, ameaça o poder do presidente Muammar el Gaddafi da Líbia, e espalha movimentações em massa no mundo árabe (Omã, Síria, Argélia, Iêmen, Arábia Saudita e Jordânia), sem contar com recentes movimentações na China e na Coréia do Norte .

Após 10 dias do inicio dos bombardeios das tropas aliadas da ONU sobre o território líbio em defesa da população civil, se reuniram na capital inglesa aproximadamente 40 conselheiros de diversas nações para discutir sobre uma futura solução política na Líbia. Uma noite anterior ao encontro na cidade de Londres (28.03.2011), o canal Francês–Alemão ‘Arte’ mostrou uma entrevista com os quatros representantes das nações interessadas, os quais também fazem parte das tropas aliadas (Alemanha, França, Inglaterra e EUA). Segundo os ministros dos respectivos países, eles iriam a Londres com uma pré-proposta: “o tema central da conferência deve permear uma resolução política do conflito, a qual a transição da Líbia poderia desempenhar um papel primordial.”.

As grandes perguntas lançadas pela comunidade de jornalistas representada por vários países foram taxativas: “Como poderá ser a Líbia democrática?”, “Qual modelo de democracia é mais sustentável em uma nação islâmica?”, “Quais critérios democráticos podem ser implantados em um país, o qual não conheceu a revolução industrial?”. A resolução da NATO (North Atlantic Treaty Organization) é clara. “A NATO não apoiará rebeldes em conflitos internos.” Qual a posição da NATO, caso os rebeldes atirem na população civil? A posição do governo alemão em relação ao conflito na região Magreb é clara. A resposta saiu da conferência “Islamismo na Alemanha” (29.03.2011) onde foi discutido a posição do Estado alemão em relação à comunidade islâmica em território germânico. Segundo o ministro do interior alemão, Hans Peter Friederich (CDU), “Islam nicht zu Deutschland gehoert”, ou seja, o islamismo não pertence à Alemanha. Com está frase, o ministro do exterior alemão, Guido Westerwelle defendeu os interesses germânicos em Londres e ofereceu uma singular ajuda técnico – cientifica.

* Doutorando em comunicação Política pela UPF – Universitat Pompeu Fabra/ Barcelona e integrante do Núcleo de Estudos e Ações sobre Democracia e Direitos Humanos (NEADDH), da Universidade Federal de Pernambuco.

**A tecnologia 2.0 se refere à velocidade de transferência de dados e a quantidade máxima de energia elétrica utilizada pelas novas tecnologias. Já a 3G é usada pela terceira geração de telefonia móvel. A primeira foi a dos celulares analógicos e a segunda dos digitais. Entre os serviços prestados estão internet banda larga, TV no celular, jogos tridimensionais e download de músicas e vídeos com mais rapidez.

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