O repórter fotográfico Guga Matos, do Jornal do Commercio, foi ameaçado e coagido enquanto cobria uma pauta sugerida pela Polícia Federal, na manhã da última quinta-feira, na Dantas Barreto, segundo relatou a esta reportagem. Conforme explicou, fotografava a movimentação e os objetos apreendidos durante a Operação Contra o Contrabando, realizada pela Polícia Federal em parceria com a Receita Federal.

O fotógrafo informou que dois agentes, um homem e uma mulher da Receita Federal, se aproximaram e, em tom ríspido, teriam dito para ele mostrar imediatamente as fotos e, em seguida, apagá-las. As imagens fotografadas eram do galpão onde estava a mercadoria apreendida, da movimentação na avenida, respeitando sempre o direito à imagem, como afirma. “Tive cuidado em fotografar os agentes de costas, mostrando apenas o emblema das instituições no colete”, garante Guga Matos.

Segundo o jornalista, chegaram outros dois agentes da Receita Federal. Não houve agressão física ou verbal. Mas, um deles, com o dedo em riste,  teria insistido em ver as fotos e apagá-las. O profissional relatou que chegou a mostrar, novamente, algumas imagens e ouviu, mais uma vez, grosseiramente, que deveria apagá-las. O fotógrafo disse ter se negado e, ao final, o agente teria pego o crachá do jornalista, lido seu nome e o da empresa onde trabalha. Além de tê-lo ameaçado, o agente teria ressaltado que poderiam existir conseqüências para o jornalista.

A situação foi amenizada quando o assessor de imprensa da Polícia Federal, Giovani Santoro, chegou ao local. Guga relatou o acontecido e Giovani mediou a situação, acompanhando o fotógrafo para novas fotos em outros galpões. Neste momento, de acordo com Santoro, os agentes e policiais colaboraram com as imagens. Quanto ao episódio inicial, o assessor orientou Guga Matos a conversar com a Corregedoria da Receita Federal.

Ao OmbudsPE Giovani Santoro afirmou que, quando são encaminhados os releases para Imprensa sobre operações da PF, a assessoria da instituição orienta sobre a postura que policiais e funcionários devem ter em relação ao exercício do jornalista, colaborando na sua cobertura, sem ferir a atividade profissional.

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