Foto da home/destaque : Paulo Lopes
Página interna: Mille Rodrigues

Um grande elo a ser cada vez mais fortalecido e ampliado no compromisso de atuar a partir das perspectivas de gênero e dos direitos humanos. Essa foi uma das idéias do encontro da Rede de Mulheres em Comunicação, que aconteceu em Maragogi de 21 a 23 de outubro. O evento reuniu diversas participantes entre comunicadoras populares, jornalistas, trabalhadoras rurais, radialistas, estudantes e educadoras de diversos estados, entre eles Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e São Paulo.

Para Ana Veloso, professora de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), colaboradora do Centro de Mulheres do Cabo e uma das organizadoras do evento, o melhor do encontro ” foi ter conseguido agregar as comunicadoras em torno de um projeto, tanto de produção quanto de intervenção política”.

Na abertura dos trabalhos, na Unicap, dia 21,  e na seqüência do encontro em Maragogi, Alagoas, foram levantadas discussões que apontavam para as várias possibilidades de uso das mídias digitais e as experiências em comunicação colaborativa. Iniciativas voltadas para a atuação cidadã com foco no papel articulador da Rede de Mulheres. em Comunicação . Uma das fundadoras da articulação, a carioca Denise Viola, locutora da Rádio MEC, apresentou em Maragogi, a atuação da articulação durante seus mais de 15 anos de existência e o histórico da Rede, cujas origens remontam à Rede de Mulheres no Rádio.

Campanhas da Rede

No debate “A experiência da Rede de Mulheres em Comunicação” norteado por Denise Viola,  foram lembradas alumas importantes campanhas.

Uma educativa voltou-se para o uso da camisinha sem constrangimentos, que tratou com bom humor do período em que  muitas mulheres compravam o produto em farmácias ao lado de muitos outros utensílios, para não solicitá-lo,  especificamente.

Houve também as campanhas de denúncias, como a de abuso de crianças e adolescentes e as nacionais, contra a violação da imagem da mulher na mídia  Entre elas, a de depreciações dirigidas ao público feminino em músicas dos mais variados gêneros, do forró ao funk carioca, passando pela música brega. 

A famigerada “Um Tapinha Não Dói”, da  Furacão  2000, retirada da rádio pela força da articulação da rede, foi lembrado e discutida como um dos exemplos de violências que caem na banalização. “A Rede já desenvolveu diversas iniciativas. Uma delas foi a do Manual da Palavra Limpa, em 2001, pois as palavras estão carregadas de significados”, explica Denise. De acordo com a radialista muitos termos refletem a vulgarização e a banalização da violência contra a mulher.

De acordo com Denise, a Rede já reuniu cerca de 400 mulheres distribuídas pelas diversas regiões do país entre ativistas de rádios comunitárias da Amazônia a locutoras de rádio postes em Goiás e no Maranhão.

Hoje, segundo a locutora, a Rede pode ter menos integrantes, mas continua ativa e aberta a integração de novas participantes, que passaram a conhecê-la, mais proximamento no encontro.
 

TICs

As novas ferramentas da Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) e a tecnofobia entraram na pauta da palestra “As mulheres nas Redes Sociais e TICs no Brasil”, ministrado pela pesquisadora da Organização não-governamental da Rede de Mulheres em Educação, Vera Vieira. Vieira entusiasta das mídias sociais, aposta nas ferramentas das TICscomo forma de resignificar práticas de educação popular.

De acordo com Ana Veloso, editora do Blog Eu Decido, juntamente com a Jornalista Nataly Queiroz, o público feminino está entre os maiores usuários da rede. No entanto, ainda existem muitos desafios no que tange o acesso e à entrada de muitas mulheres na rede mundial de computadores.
 
Depois de vencido o desafio da fala pública, restou o da tecnologia, responsável pela  tecnofobia, segundo Vera, um dos obstáculos a serem superados por aquelas que ainda não estão conectadas à Internet. “Um desafio vivenciado nas oficinas que fazemos com lideranças multiplicadoras foi incluí-las numa rede de comunicadoras, pela aversão às novas tecnologias”.  A pesquisadora diz que “é importante conscientização de  que o uso das ferramentas  é só mais um etapa das formas de emissão e transmissão de mensagens”. Para Vieira o grande número de mulheres na Internet reflete uma conquista importante, quando saem da condição de receptoras para ativas produtoras de conteúdo.

A pesquisadora também enfatizou a importância da Educomunicação na formação de novas lideranças, para uma leitura crítica da mídia.  “A educação se dá pelo processo de comunicação”, afirmou.

 

Leia outras notícias relacionadas

Mulheres que atuam em processos de comunicação colaborativa

Comunicação dentro e fora da rede

O OmbudsPE é um projeto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada e esta nota seja incluída.

Realização:

Apoio: