Conhecer propostas da Conferência Nacional de Comunicação e buscar maneiras de colocá-las em prática. Esse foi um dos principais motivos que reuniu cineclubistas, integrantes de rádios comunitárias, jornalistas, além de gestores públicos e produtores culturais da Mata Norte nesta sexta-feira, dia 26 de março, para o primeiro Encontro Regional de Comunicação. A atividade é realizada em parceria entre o Fórum Pernambucano de Comunicação e a Fundarpe, como parte do Festival Nação Cultural.

Facilitando o debate, os integrantes do Fopecom e do Centro de Cultura Luiz Freire Ivan Moraes Filho e Cátia Oliveira discutiram liberdade de expressão, participação social na construção de políticas públicas e o processo de conferências nacional e estadual de comunicação. A dupla também ouviu relatos e experiências dos participantes da oficina que atuam no campo da comunicação.

“Não estávamos sabendo de muitas dessas informações e não tínhamos como discutir nossas demandas e são muitos os problemas pra quem trabalha com comunicação aqui no interior”, afirmou o radialista Jair Soares, de Timbaúba. Para o jornalista Daniel Oliveira, é importante que militantes da comunicação nos municípios da região possam encontrar-se com mais frequência para oxigenar a mobilização também no interior do estado. Denis Araújo, atual secretário de comunicação de Goiana, faz coro com a proposta. “Aqui no município, por exemplo, já poderíamos ter um conselho de comunicação. Um conselho para discutir políticas de comunicação sem o partidarismo que muitas vezes atrapalha o diálogo”.

Não faltaram relatos e denúncias sobre violações da liberdade de expressão e de imprensa em municípios da Mata Norte. “Quando você fala coisas que não ‘é pra se falar’, causa polêmica. Tem um locutor daqui que era bom e que ajudava a comunidade, denunciava os problemas. Uma vez fez um comentário sobre um problema, no outro dia foi demitido da rádio, relata a professora Ivanilda Lima

Para Denis,o apoio a rádios comunitárias e a um sistema público de comunicação é uma das saídas para democratizar-se o discurso público  “Aqui em Goiana, a rádio comunitária é a única que você ainda consegue reclamar e ter espaço para responder”.

Para Felipe Andrade, jornalista do periódico Página Um, uma melhor distribuição da publicidade oficial estadual poderia contribuir para a independência do jornalismo local. “Não é fácil ficar a mercê da prefeitura ou do comércio local para poder sobreviver.  Seria importante se o nosso veículo pudesse contar com incentivo da Fundarpe, do governo do estado, porque a gente também promove cultura”, ressalta.

“Os problemas observados não são muito diferentes dos encontrados em âmbito nacional. Discutir comunicação e visilbilizar questões de interesse coletivo é um passo importante para a reavaliação dos meios no olhar do público e do papel do cidadão enquanto receptor e sujeito ativo no processo de  democratização da  comunicação”, avaliou Cátia Oliveira.

O Fórum Pernambucano de Comunicação facilitará encontros como estes em todos os festivais Nação Cultura promovidos pela Fundarpe até o final do ano. Todas as propostas que surgirem nesses encontros serão consolidadas num documento que será encaminhado ao governo pernambucano como propostas monitoráveis de políticas que poderão – se implantadas – contribuir para a garantia do direito humano à comunicação.

O OmbudsPE é um projeto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada e esta nota seja incluída.

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