“Rádio comunitária não pode ter dono”, afirmou Cícero Nascimento, diretor do Sindicato dos Radialistas de Garanhuns, durante a oficina que a equipe de comunicação do CCLF realizou no Agreste Meridional. Dela, participaram radialistas, jornalistas, estudantes e militantes da comunicação. Severino Sulipa, representante estadual da Abraço Pernambuco, concordou com Cícero e acrescentou: “uma rádio comunitária deve ter, na verdade, um grupo gestor, como também um conselho comunitário que fiscaliza suas atividades. Isto está previsto no marco regulatório das RadComs”, destacou Sulipa.

Severino Sulipa (à direita), o jornalista e administrador David Melo (ao centro) e Cícero Nascimento (à esquerda).

A questão principal que ocupou grande parte do debate, na oficina realizada em Garanhuns, foi a apropriação de rádios educativas e comunitárias por grupos religiosos ou indivíduos cujo interesse é lucrar comercialmente, invertendo os princípios legais que uma concessão para rádios com este caráter deve obedecer.

Em Garanhuns, descrevem os particiapantes, a rádio da Fundação Padre Adelmar da Mota Valença (que é educativa!) foi arrendada a um grupo evangélico; e a única rádio comunitária da cidade – a Associação Comunitária Rádio Monte Sinai FM – se tornou, na prática, propriedade de Osman de Holanda Cavalcanti. “O poder econômico e o poder político tomam algo que é de todos”, enfatiza Dedé Seixas, agricultor da região e que participou da estruturação e do funcionamento inicial desta RadCom de Garanhuns.

Apesar deste contexto de usurpação e arrendamento de emissoras públicas na radiodifusão local, alguns comunicadores desenvolvem atividades relevantes à efetivação do direito à comunicação. Fernando Monteiro – que também participava da atividade – é radialista da emissora Sete Colinas (rádio comercial) e realiza, junto a parceiros, o projeto Rádio na Escola. A iniciativa estimular o diálogo entre escola e sociedade, promovendo debates com alunos da rede municipal de ensino, convidados e professores. “Já discutimos bullying e sexualidade, por exemplo”, conta Fernando. Os programas, que são feitos uma vez na semana, são gravados e veiculados no dia seguinte, na Sete Colinas. Fernando opina: “o rádio foi feito pra educar”.

Ao longo da oficina, os participantes foram elencando propostas referentes à comunicação naquela região. Assim como na Zona da Mata Sul, Garanhuns e cidades vizinhas também querem “se ver” na programação da TV. Regionalizar a grade da televisão e produzir conteúdo a partir e sobre o Agreste Meridional foi a primeira proposta levantada. Severino Sulipa ambém acrescentou que é necessário levar o sinal da TV Pernambuco para as cidades próximas a Garanhuns. Em Capoeiras, por exemplo, cidade onde Sulipa reside e que está a 25 km de Garanhuns, o sinal da TV PE não chega aos receptores.

Abaixo, seguem outras propostas discutidas e sistematizadas durante a oficina direito humano à comunicação no Agreste Meridional:

1. Implantar cursos técnicos e superiores de comunicação (Radialismo, Fotografia, Jornalismo) em Garanhuns.

2. Promover um Encontro de Comunicadores do Agreste Meridional.

3. Fomentar o funcionamento dos Pontos de Cultura da Região.

4. Destinar verbas da publicidade oficial do Festival de Inverno de Garanhuns às emissoras de rádio locais.

5. Fomentar e promover o Projeto Rádio nas Escolas na rede estadual de ensino do Agreste Meridional.

6. Diversificar a programação das emissoras de rádio da Região, construindo rádios participativas, colaborativas e com sustentabilidade.

O OmbudsPE é um projeto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada e esta nota seja incluída.

Realização:

Apoio: