Começou nesta segunda-feira, dia 14, de dezembro, a etapa final da I Conferência Nacional de Comunicação, a Confecom.

Nunca na história desse país, tanta gente se mobilizou para discutir um direito humano historicamente relegado ao controle exclusivo do capital (ou do arbítrio governamental, no período da ditadura militar).

Nunca na história desse país se elaborou tantas propostas (foram mais de 6 mil nas etapas preparatórias) na esperaça de que possam ser implementadas as políticas públicas que o Brasil precisa pra avançar, afinal, num programa de comunicação que possa fazer com que toda a sociedade possa expressar-se livremente, sem amarras políticas ou econômicas.

(Talvez) nunca na história desse país uma conferência tenha tido um processo tão conturbado.

Boicotes de alguns setores empresariais não interferiram na representatividade do processo;  trapalhadas de setores do governo responsáveis (?) pela logística do evento quase deixam bom número de delegados(as) de fora, o que não aconteceu por conta do voluntarismo e compromisso da Comissão Nacional Pro-Conferência; o pouco cuidado da fundação responsável pela sistematização das propostas fez com que integrantes da Comissão Orgainzadora Nacional (COM) precisassem virar as últimas noites revendo os cadernos e solucionando a questão.

Nesta segunda-feira, dia 14 de dezembro de 2009, quase duas mil pessoas se reuniram no Centro de Convenções Ulisses Guimarães para dar o pontapé inicial no que será um palco de disputas acirradas e – como se espera – negociações e avanços.

Estão em Brasília pouco mais de 600 delegados e delegadas da sociedade civil organizada, que tem sua prioridades baseadas no histórico de lutas pela democratização da comunicação: liberdade e fortalecimento da comunicação comunitária; implementação do sistema público de comunicação; regulamentação de conteúdo, garantia da diversidade; universalização da banda larga de internet; transparência no processo de distribuição de concessões de rádio e TV.

A nossa sociedade civil é diversa. São militantes de direitos humanos, comunicadores comunitários, sindicalistas, integrantes de movimentos de mulheres, de movimentos étnico-raciais, estudantes e acadêmicos. Gente de todos os estados do país. Cada um e cada uma percebe a interdependência dos direitos e que sabe sem mobilização popular, não há como avançar na perspectiva de um país mais justo.

Gente que sabe que, como sempre na história desse país, os movimentos sociais é quem são responsáveis pela realização do debate amplo de um direito.

E que, como sempre na história desse país, o fim de uma conferência é apenas um novo começo.

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