“Foi Cantar um Macho e Morreu”. A manchete estampada na edição de ontem (16/06/2009) do jornal Aqui PE, dos Diários Associados, demonstra os valores que norteiam sua linha editorial. Machista e homofóbica, a manchete traz nas entrelinhas uma “justificativa” para o crime, uma vez que ao Macho atribui a condição de vítima de assédio, que reagiu a uma cantada; e à verdadeira vítima é explicitada a condição de gay e ex-presidiário, ou seja, um criminoso. Se fosse uma mulher que houvesse sido cantada justificaria-se uma reação extrema nas mesmas proporções? Ou se uma mulher cantasse esse mesmo macho?

O conteúdo apurado e que constitui a matéria leva a crer que se tratou de um crime com outras motivações e não a questão do assédio. A fala do próprio “macho” mostra isso: “Ele me ameaçou de morte, deu um tapa na minha cara e ainda me convidou para sair”.

Portanto, a matéria “força a barra”, presta um deserviço à sociedade, estimula as práticas machistas e homofóbicas, desvirtua a função da imprensa, e vai na contramão da construção de uma sociedade constituída a partir da prática dos direitos humanos.

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