“O movimento Ocupe Estelita começou lutando pelo direito à cidade em oposição ao projeto Novo Recife, que quer construir doze torres de quarenta andares numa das partes mais nobres da capital pernambucana. Mas hoje ele simboliza muito mais do que isso”, afirmou o jornalista Ivan Moraes Filho, do CCLF, em palestra nesta terça-feira (26/08), na Universidade de Tulane, em Nova Orleans  (EUA). Para o ativista,  o que acontece no Cais oferece lições sobre a interdependência dos direitos humanos. “Como se pode debater um tema qualquer com a sociedade se o pouco que temos de mídia local é hiper-comercial  altamente concentrado nas mãos de pouca gente? E como se pode esperar da prefeitura que defenda os interesses dos cidadãos e cidadãs se a maior parte do dinheiro que elegeu o prefeito veio justamente das empreiteiras?” 

Professores de cinco departamentos e estudantes da Universidade participaram do encontro promovido pelo Centro de Estudos Latino Americanos, referência estadunidense nos estudos da região. No debate, foi possível encontrar interseções entre a ação do #ocupeestelita e iniciativas de movimentos sociais do estilo “occupy” em vários lugares do mundo, da Argentina aos Emirados Árabes. “A horizontalidade dessas lutas faz com que elas sejam únicas, extremamente relevantes e também difíceis no seu dia a dia, já que não há lideranças e a diversidade de sujeitos envolvidos é gigantesca”, disse Moraes.

A participação do público estadunidense chamou a atenção. “Foi uma demonstração clara do interesse dos pesquisadores da Tulane sobre as lutas por direitos no contexto do Brasil e do Recife, bem como do talento e da criatividade do trabalho de Ivan e do Centro de Cultura Luiz Freire”, avaliou o professor Mauro Porto, idealizador da atividade.

 

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