A nova direção da TV Pernambuco foi anunciada na tarde desta quinta-feira, 25 de fevereiro, e surpreendeu muita gente. Ao invés de um quadro político-partidário, o diretor-presidente da emissora é o articulador cultural Roger de Renor. O músico/advogado Adriano Araújo e o publicitário Guido Bianchi completam a diretoria do órgão – que já começou a trabalhar.

Logo no início da entrevista coletiva que apresentou o trio, Roger fez questão de colocar o contexto das mudanças. “Não é de  hoje que os movimentos que lutam pelo direito à comunicação procuram intervir nas políticas públicas em Pernambuco. Além da TV Pernambuco, ainda temos a TV Universitária, as duas rádios universitárias e uma Rádio Frei Caneca que precisam constituir um sistema realmente público. Todos esses veículos precisam ser ocupados pela população. A Frei Caneca, mesmo, precisa inclusive existir”, argumentou o comunicador, que hoje apresenta os programas Som na Rural (TV Brasil) e Sopa de Auditório (TVU).

Em maio do ano passado, um grupo de entidades da sociedade civil lançou o Manifesto Cultura e Comunicação, em que se pedia uma ampla discussão de todas estas emissoras. No processo da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que aconteceu no final de 2009, o debate voltou à tona. Só sobre a TV Pernambuco, especificamente, cinco propostas foram aprovadas.

Com a nova gestão, entra em cena um grupo de trabalho composto por integrantes do governo estadual e da sociedade civil. Até agora, foram divulgados os nomes de Eduardo Homem e Nilton Pereira (TV Viva), além de Ivan Moraes Filho (CCLF/Fopecom), Ricardo Mello (Unicap) e Luiz Carlos Pinto (Sectma). O grupo, porém, ainda não está fechado e deverá contar com mais participantes. O GT tem um prazo de três meses para, a partir de visitas técnicas e consultas públicas, repensar o funcionamento da TV Pernambuco. O parecer deverá incluir propostas de aperfeiçoamento e/ou modificações tanto na transmissão quanto nos critérios de conteúdo, gestão e sustentabilidade.

Roger admite que o desafio é grande, mas espera contar com um grande número de parcerias para encampar várias propostas históricas dos movimentos pela democratização da comunicação. “É a hora de as entidades nos apoiarem, de participarem. A qualidade da produção pernambucana é inquestionável e nossas produtoras independentes precisam também ocupar esse espaço. Sem falar na TV Universitária, que pode ser uma parceira importantíssima, assim como a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

“A falta de políticas públicas de comunicação é uma das maiores débitos do governo Eduardo Campos. É válido que ele esteja, mesmo que tardiamente, tentando suprir esta lacuna. Como estamos há muitos anos na luta por uma comunicação pública forte e sustentável, aceitamos o convite para participar dessa proposta de mudança. Esperamos que finalmente possamos avançar”, avalia Ivan Moraes Filho.

O OmbudsPE é um projeto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada e esta nota seja incluída.

Realização:

Apoio: