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Trabalho infantil e direito à comunicação na pauta da juventude em Chão de Estrelas

Déo (à direita) e Anderson (à esquerda) cantam rap no debate.

Déo (à direita) e Anderson (à esquerda) cantam rap no debate.

Cerca de 100 jovens se reuniram no Centro de Organização Comunitário Chão de Estrelas , em Chão de Estrelas no sábado (11) para o lançamento da campanha “É da nossa conta” e para discutir o trabalho infantil e a democratização da mídia. A educadora Elen Carlos falou da importância do trabalho aprendiz regulamentado como forma de combater o trabalho infantil. Duas integrantes do Centro de Cultura Luiz Freire, Patrícia Gameiro e Victória Ayres, apresentaram aos participantes a campanha da Lei da Mídia Democrática e debateram sobre o reconhecimento da comunicação como um direito. A atividade deu o pontapé inicial na agenda da Semana Nacional pela Democratização da Comunicação em Pernambuco.

Jovens escutam sobre democratização da comunicação

Jovens escutam sobre democratização da comunicação

Considerando a incidência de jovens que, para auxiliar na renda doméstica, iniciam atividades de trabalho ainda adolescentes e, muitas vezes, em serviços não regulamentados, a campanha “É da nossa conta” foi lançada para esclarecer aos jovens presentes sobre os direitos e pormenores do trabalho aprendiz. A campanha contou com o apoio da Visão Mundial, que organizou o evento.  Gidália Santana, integrante da organização, planejou a participação de integrantes do Fórum Pernambucano de Comunicação para, junto com o jovens, debater as interações entre este tema e a mídia. Antes da conversa sobre comunicação começar, dois adolescentes que estavam no encontro fizeram uma apresentação musical de hip hop, Déo Joaquim e Anderson Silva cantaram sobre trabalho infantil.

O Centro de Organização Comunitária Chão de Estrelas, além de servir como sede de eventos relevantes para os moradores locais, abriga também a Rádio Comunitária Chão de Estrelas, onde alguns jovens têm liberdade de produzir conteúdo para ser veiculado. Foi, portanto, um ambiente bastante propício para discutir comunicação de qualidade e feita de forma autônoma. “A gente tem que ter consciência de que o espectro que essas empresas privadas usam pra exibir TV e rádio é nosso. O ar onde as ondas de radiodifusão circulam é público, é nosso por direito”, explicou Victória Ayres.

Para fomentar o debate, foi exibido o vídeo “Cordel da Regulamentação da Comunicação” para, em seguida, o debate ser iniciado. Várias pessoas presentes se entusiasmaram com o tema e discutiram sobre como a mídia hegemônica subrepresenta várias esferas sociais e que fazem parte do dia-a-dia de bairros como Chão de Estrelas. “Foi muito bom esse assunto ter vindo pra cá. Eu nunca tinha ouvido falar da comunicação como um direito antes”, diz Anderson Silva. Já para Fernando Neto, o racismo velado da mídia é o pior: “você quase nunca vê gente negra na TV. Seria bom que pessoas iguais à gente pudessem aparecer mais”. Após o debate, foram formados três grupos de conversa para aprofundar os temas específicos: democratização da comunicação, a campanha “É da nossa conta” e trabalho infantil.