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Sindlegis-PE na luta pela mídia democrática

Foto: Talita Arruda (Alepe)

Foto: Talita Arruda (Sindlegis-PE)

O Sindicato do Servidores no Poder Legislativo do Estado de Pernambuco entrou de vez na discussão sobre o direito à comunicação.  A entidade promoveu, na Semana Nacional pela Democratização da Comunicação, um debate sobre a democratização da mídia e deixou clara a intenção de seus dirigentes em se incorporar a uma das discussões mais importantes para o avanço da democracia no Brasil. “Para quem acompanha os veículos de comunicação nesse período eleitoral, está muito claro que é preciso mais diversidade nas informações e opiniões”, argumentou o vice-presidente do Sindlegis-PE Marconi Glauco.

O debate aconteceu no auditório da Assembleia Legislativa de Pernambuco e teve como palestrantes Ivan Moraes Filho (CCLF), Jonatas Campos (Alepe) e Juliano Domingues (Unicap). Domingues mostrou resultados de sua pesquisa de doutorado, que comprova que países com maior concentração de mídia (como o Brasil) tendem a ser menos democráticos, enquanto Campos relatou sua experiência na Venezuela. “Embora os meios de comunicação brasileiros insistam em classificar a mídia venezuelana como estatal e censurada, o que existe na verdade é um predomínio de veículos privados que são via de regra contra o governo. Em contrapartida, os canais estatais fazem propaganda explícita da gestão Maduro, como faziam de Chaves. Ainda se precisa caminhar bastante para se chegar a um objetivo de mídia pública, em que a população pode se comunicar com mais qualidade.

A mídia pública, por sinal, foi um dos temas que ocupou mais espaço quando a palavra foi aberta para a platéia. O produtor cultural Roger de Renor, ex-presidente da TV Pernambuco, foi o primeiro a ocupar a tribuna e fez questão de denunciar o descaso com que é tratada a comunicação pública no nosso estado. “Há dois anos, neste mesmo auditório, o governo do estado de Pernambuco prometeu um aporte de 25 milhões de reais para a TVPE. Até hoje não se sabe o que foi feito desse dinheiro e a emissora permanece à míngua”.

A denúncia de Roger ganha ainda mais sentido quando aliada à informação de que o governo pernambucano gasta anualmente cerca de 100 milhões de reais com propaganda em veículos de comunicação privados – embora não divulgue o destino final desse recurso.

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco já se iniciaram as discussões relativas à Lei Orçamentária Anual de 2015, momento em que deputadas e deputados podem interferir na alocação de receitas. “Esse é o momento ideal para que possamos agir junto aos parlamentares para que discrepâncias como estas possam ser superadas”, afirmou Jonatas Campos.