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Sementes do ENeDC são visíveis em depoimentos de participantes

Os frutos reais no Encontro Nordestino pelo Direito à Comunicação estão longe de ter se esgotado apenas no evento. Foram mais de 30 ações no total, contando todas as atividades autogestionadas, as mesas de debate e o ato político-cultural do Som na Rural. Para cada participante, o evento teve um significado muito rico e diverso, pois não apenas o público formal pôde aproveitar o evento, mas também as pessoas responsáveis pelas atividades autogestionadas, por exemplo.

Yanara Galvão, da Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec), que facilitou uma oficina de cineclubismo, se animou com a possibilidade de interagir com outras pessoas proponentes das atividades. “Um dos momentos mais importantes são quando você pode interagir com outras entidades e coletivos de outros estados. Metade da importância desse tipo de evento, pra mim, está nas articulações internas que fazemos”, diz ela. Yanara também considera importante o formato escolhido por ela, pois ele possibilita uma construção mais horizontal com o público, “eu gosto de oficinas, porque passa a ideia de construção, o público também te acrescenta muita coisa, é algo feito em conjunto”, finaliza.

Para outras pessoas, tais como Alexandro Mung, da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores (Renajoc), que participou da oficina de “Teatro como denúncia”, o evento teve sua importância para a articulação interna, mas não deve-se deixar que fique por isso. “Eventos como esse servem para fazermos contatos e parcerias, porém ainda temos o desafio de sair dos círculos de pessoas e organizações que já discutem a temática do direito à comunicação, chegando em outros espaços, tais como escolas, comunidades e periferias

Um dos grandes propósitos do evento é conscientizar o público sobre as pautas mais urgentes da luta pela democratização das comunicações. Para Tereza Campos, do Centro Popular de Direitos Humanos, que deu a oficina da lei de acesso à informação, esse objetivo foi cumprido. “É preciso que cada vez mais as pessoas saibam que a comunicação é um direito humano. O direito à comunicação incorpora a inalienável e fundamental liberdade de expressão e o direito à informação”, complementa ela.

Quem estuda comunicação viu no encontro a possibilidade de repensar sua vida profissional. Caio Castro Mello, estudante de jornalismo da UFPE, começou a dar mais atenção à democratização da comunicação. “Eu tinha um conhecimento até então raso sobre o direito à comunicação. O assunto é bastante complexo e envolve muitos detalhes. Aprendi muito com o promotor Maxwell Vignoli no que diz respeito aos procedimentos para levarmos à justiça os conteúdos midiáticos que ferem nossos direitos humanos. Saber dos empecilhos que estão no legislativo me despertou para a necessidade de participar da mobilização popular para levar o projeto de lei ao congresso. Foi bastante inspirador pra mim ver jovens de outros estados participando de fóruns pelo direito à comunicação, e isso me instigou bastante a participar do Fórum Pernambucano de Comunicação e das atividades sobre esse tema que têm sido promovidas aqui na nossa cidade”, explica o estudante.