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Rumos da Rádio Frei Caneca é tema de debate nesta terça-feira

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Em 1960, era criada a Rádio Frei Caneca do Recife… Apenas no papel, através de lei municipal de autoria do, recém falecido, vereador Liberato Costa Júnior. Foram muitas as promessas de implementar a rádio pública feitas por quem ocupou a cadeira da Prefeitura Municipal nesses 56 anos. Nenhuma delas cumprida.

A ação mais próxima disso se deu já na gestão de Geraldo Júlio – que também fez da criação da rádio uma promessa eleitoral –, quando o site da Frei Caneca foi lançado e a população tinha a oportunidade de ouvir uma lista de músicas executadas repetidamente, sem nenhuma programação real. Porém, nem mesmo a “rádio web” da Frei Caneca sobreviveu e, recentemente, “saiu do ar”. A razão do fato é desconhecida, mas quem tenta acessar a página encontra uma mensagem padrão do servidor de hospedagem que é muito comum aos casos de falta de pagamento pelo serviço.

Entre março e abril de 2014, a Gerência de Música da Fundação de Cultura Cidade do Recife – órgão ligado ao Executivo Municipal responsável pela implantação da Frei Caneca – convocou a sociedade civil a participar de três grupos de trabalho (GTs) que elaboraram sugestões para as áreas de gestão, financiamento e programação da futura rádio durante 17 encontros. No início de julho do mesmo ano, uma audiência pública foi convocada pelo mandato da vereadora Isabella de Roldão (PDT) para apresentação do resultado dos GTs e acabou lotando o plenarinho da Câmara dxs Vereadorxs do Recife. Nela, o público realizou uma série de observações às orientações que a Prefeitura deveria seguir para a consolidação da rádio e que exigiriam a revisão do documento apresentado. Desde então, a sociedade nunca mais foi oficialmente convocada para prestações de contas a respeito do andamento do processo.

Em 5 de maio de 2015, na palestra que marcou o início da III Semana de Comunicação Pública de Pernambuco, realizada pela UFPE, o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, afirmou que, dentro do prazo de quatro meses, a rádio Frei Caneca estaria no ar. Ou seja: ao final de agosto ou início de setembro a cidade já teria uma emissora pública transmitindo em FM.

Com o prazo expirado e diante do aparente esquecimento da pauta pela Prefeitura do Recife, em outubro do mesmo ano, durante a Semana pela Democratização da Comunicação em Pernambuco, o Fórum Pernambucano de Comunicação – Fopecom – lançou um vídeo-protesto que viralizou na Internet. Nele, com uso do bom humor, o “próprio” Frei Caneca problematizava a omissão histórica das sucessivas gestões municipais que transformaram a rádio que o homenagearia em mais uma lenda recifense. “E aí, Geraldo [Júlio], vai botar a [rádio] Frei Caneca no ar?!”, pergunta o “frei” para o “prefeito”, aterrorizado pela assombração na cena final do curta-metragem.

Na mesma época, o Fopecom também provocou a Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular a realizar uma audiência pública a respeito dos veículos públicos de comunicação em Pernambuco. Abordaram-se temas como a calamitosa situação da TV Pernambuco – emissora sob risco de encerrar seu sinal, que ainda não foi digitalizado, em julho de 2017 –, os altos gastos do Estado com publicidade, a falta de investimentos na comunicação pública e a ainda inexistente Rádio Frei Caneca FM. Na ocasião, o representante da gestão municipal presente à audiência afirmou que o problema era a falta de recursos para compra de equipamentos, sendo indagado sobre o valor necessário para a sua efetivação. O deputado estadual Edilson Silva (PSOL) – presidente da Comissão – anunciou que destinaria a quantia apresentada, R$ 260 mil, através de emenda parlamentar.

Ao que tudo indica, a pressão do movimento pernambucano pela democratização da comunicação surtiu efeito. Já que, em dezembro passado, a Prefeitura abriu o processo licitatório para aquisição da torre da rádio e equipamentos de geração e transmissão do sinal. A compra foi executada no início de 2016.

Agora, o mandato do deputado autor da emenda parlamentar, diante da autorização da sua execução pela Secretaria Estadual de Planejamento e Gestão, realiza o debate “Rádio Frei Caneca e os Rumos da Mídia Pública” com a finalidade de discutir com a população ações que devem ser realizadas para que a Rádio Frei Caneca FM se consolide como verdadeira rádio pública, com participação popular, legítima e plural, e veiculação de programas independentes.

O evento acontece na próxima terça-feira, 3 de maio de 2016, às 19 horas, no Espaço Casarão, localizado à rua de Santa Cruz, 190, próximo ao Mercado da Boa Vista. Participam do debate Ivan Moraes Filho, do Fopecom, e Fred Zeroquatro, músico que acompanha a “lenda” desde a década de 1990. A participação da população é mais do que necessária, já que o histórico demonstra uma forte tendência ao descomprometimento do Executivo Municipal com suas promessas e a ausência de discussão pública sobre os rumos da rádio alimenta o receio de que a implementação da tão esperada Frei Caneca FM ignore o interesse público manifestado nas contribuições ofertadas pela sociedade civil durante as últimas décadas…

Confira nosso texto que discute o caráter público da Frei Caneca.

SERVIÇO:

Debate “Rádio Frei Caneca e os Rumos da Mídia Pública”

Participantes: Ivan Moraes Filho (Fopecom) e Fred Zeroquatro (músico e jornalista)
Local: Espaço Casarão – Rua de Santa Cruz, 190 (próximo ao Mercado da Boa Vista)
Data: 03/05/2016 (terça-feira)
Horário: 19 horas


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Você acha que a Rádio Frei Caneca vai mesmo sair do papel?

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  • Data: 03/05/2016
  • Horário: 19h
  • Local: Espaço Casarão – Rua de Santa Cruz, 190 (próximo ao Mercado da Boa Vista)