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Mesa de abertura da Semana de Comunicação Pública debateu regulamentação das comunicações e a cobertura do Ocupe Estelita

Ivan Moraes, jornalista do Centro de Cultura Luiz Freire criticou a política de comunicação do governo municipal e a postura em relação ao Cais José Estelita

Ivan Moraes, jornalista do Centro de Cultura Luiz Freire criticou a política de comunicação do governo municipal e a postura em relação ao Cais José Estelita

O debate durante a mesa de abertura da Semana de Comunicação Pública de Pernambuco teve como tema “Regulamentar a mídia para democratizar o Brasil” incluiu diversas pautas referentes à comunicação local, abordando as demandas do coletivos da sociedade civil que militam pela comunicação pública em Pernambuco, além de se discutir bastante quais as pautas que devem ser reforçadas pelos movimentos sociais e como elas podem e devem ser inseridas no diálogo com a população como um todo. Participaram da mesa Anísio Brasileiro, Reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Rosane Bertotti, Coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Nelson Breve, Presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Póla Ribeiro, Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Guido Bianchi, Presidente da Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), Luciano Siqueira, vice-prefeito do Recife e Marcella Sampaio, secretária executiva de Imprensa da Prefeitura do Recife, com Luiz Lourenço dos Santos, Diretor Geral do Núcleo de TV e Rádios Universitárias da UFPE, como mediador.

No âmbito estadual, a EPC tem duas pautas principais que precisam de um diálogo mais eficaz com o governo local, como explica o presidente da empresa, Guido Biachi, “nossos entraves no momento tem a ver com falta de recursos, porque temos dois caminhos a seguir, um se trata da estruturação da empresa, que inclui a recuperação técnica e a montagem da equipe técnica, e o outro é o investimento na digitalização, cujo prazo dado às emissoras para se adequar foi estendido para 2018. Então são duas demandas de recursos” explica.

Rosane Bertotti, coordenadora do FNDC, explica que um dos objetivos secundários da coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular pela democratização da comunicação é levantar o debate sobre o tema na sociedade, que ainda não é amplo o suficiente, “todas as lutas que fizermos pela democratização da comunicação são válidas e se articulam entre si, eu acho que o Projeto de Lei de Iniciativa popular pela democratização da Comunicação é o carro-chefe desse debate, é o que nos baliza, mas desde o seu princípio, ele teve dois objetivos. O objetivo principal é a sensibilização pela luta e pelo debate e o outro objetivo é recolher assinaturas. Eu acho que a gente não abre mão dessa estratégia de colher assinaturas porque é uma ação importante, é uma forma democrática da gente colocar esse projeto na pauta. Lógico que mesmo sabendo que recolhendo dois milhões ou três milhões de assinaturas, esse projeto entrar de fato na pauta do congresso é uma outra realidade de como ele vai se passar. O importante é que façamos o debate com a sociedade, que a gente desmistifique esse debate e que comunicação seja direito, que regular a mídia seja liberdade de expressão e não o contrário, então é dentro desse objetivo que o diálogo com a sociedade deve acontecer porque a comunicação tem sido uma pauta que permeia algumas rodas, mas ainda não é um debate amplo social” afirma.

A mesa de abertura cumpriu um papel importante construir um discurso que conscientizasse estudantes de comunicação. Emilayne Mayara, do curso de Jornalismo da UFPE, afirmou que se sentia mais ciente das problemáticas que abrangem a regulamentação da comunicação, e sente que no futuro profissional ainda há espaços de luta “Apesar da frustração, das dificuldades e das arbitrariedades, que muitas vezes desmotivam a esperança de que haja uma mudança a curto ou a longo prazo, não se perde a sede de lutar por um quadro diferente para a comunicação no Brasil”, diz.

Ocupe Estelita coloca o governo local contra a parede

Paulo Câmara, o atual governador do estado estava na lista de pessoas que iriam compor a mesa de abertura, entretanto, no dia, Luciano Siqueira, vice-prefeito de Geraldo Júlio, foi em seu lugar para representar a atual gestão do executivo. Após uma fala genérica e pouco propositiva sobre liberdade de expressão de Luciano, militantes do Movimento Ocupe Estelita que estavam presentes no público entoaram palavras de ordem para criticar a postura do executivo municipal, que um dia antes da mesa de abertura sancionou o Projeto de Lei para o Cais Estelita, contrariando a recomendação do Ministério Público, que  havia recomendado ao Prefeito Geraldo Julio que retirasse a PL 008/2015 da Câmara e retornasse ao Conselho das Cidades, entendendo as muitas irregularidades que conduziram o processo.

Luciano Siqueira tentou desviar o foco das críticas, novamente exaltando a liberdade de expressão de forma vazia. Após o fim das falas da mesa, foi aberto o espaço para perguntas e falas que dessem início ao debate, e neste momento, Luciano se retirou da mesa, afirmando ter um compromisso importante e recebeu muitas vaias do público, pois a primeira fala a ser ouvida foi de Carol Dantas, professora do Departamento de Comunicação da UFPE, que questionou “Por que o Projeto de Lei do Estelita saiu tão rápido e a Rádio Frei Caneca está levando oito anos para ser viabilizada?”, escancarando o descompasso das prioridades estabelecidas pela atual gestão do executivo municipal.

Após a saída de Luciano, a secretária executiva da Secretaria de Imprensa de Pernambuco, Marcella Sampaio, afirmou que a Rádio Frei Caneca irá ser concretamente viabilizada em breve, com uma programação experimental, “a rádio vai sair, é um compromisso nosso, ela irá entrar no ar. O processo que corre agora é apenas burocrático e licitatório, então num período de mais ou menos cinco ou quatro meses teremos o dial, já teremos o local, a gente precisa agora se estruturar fisicamente e depois se estruturar com o pessoal”, disse ela.

Para assistir à gravação da mesa feita pela organização do evento, clique aqui.