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Jornalismo independente é cerceado em Pernambuco

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Por Débora Britto

O Sindicato de Jornalistas Profissionais de Pernambuco (Sinjope) publicou hoje (11/11) carta aberta em que manifesta “preocupação diante de casos de pressão do Governo do Estado sobre jornalistas”.

O posicionamento foi motivado pela coerção e expulsão, na quinta-feira (10/11), do jornalista pernambucano Samarone Lima, do Marco Zero Conteúdo, da Central de Plantões da Capital enquanto entrevistava estudantes detidos na escola de Referência em Ensino Médio Dom Sebastião Leme, no Ibura, bairro do Recife.

Um vídeo publicado pelo próprio jornalista registra o momento em que uma policial interrompe a entrevista de um dos jovens detidos e intima o jornalista a deixar o local.

Vídeo: Repórter da Marco Zero é expulso da delegacia

Para o Sinjope, a ação arbitrária acende um alerta de que a “truculência da Polícia Militar esteja se espraiando de tal forma, chegando a impedir o livre exercício profissional de jornalistas em Pernambuco” e cobra resposta do Governo do Estado sobre a violação.

Liberdade de expressão e de imprensa em cheque

A atitude de cerceamento da atividade profissional do jornalista causa maior estranhamento por teu sido exclusiva com o integrante de um veículo independente de comunicação. Segundo advogados populares que estavam na delegacia acompanhando os jovens detidos outras equipes de reportagem não foram abordadas por qualquer policial.

Para Stelio Cavalcanti, advogado do Centro Popular de Direitos Humanos (CPDH), a distinção de tratamentos com equipes de imprensa é alarmante. “É uma situação idêntica, em que a Administração Pública dispensa tratamentos diferentes aos administrados. O fato positivo desse absurdo de ontem é a constatação concreta que as ocupas, para além das escolas, estão agregando uma rede de apoio na sociedade civil que só tende a se fortalecer daqui pra frente”, observa.

Após a destituição da ordem democrática no país, violações à liberdade de expressão – na imprensa, em manifestações coletivas e individuais e até mesmo em ações artísticas – tem se multiplicado sob um estado de impunidade. Atento a esse movimento conservador, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) lançou em outubro a campanha “Calar jamais!”, que tem por objetivo reunir denúncias e dar visibilidade a violações à liberdade de expressão no Brasil pós-golpe.

Para contribuir com a campanha, é preciso enviar denúncias via formmulário no site da campanha Para Expressar a Liberdade. As submissões também podem ser feita de modo anônimo para garantir a segurança de quem deseja relatar uma violação.

Após o envio, uma equipe de profissionais e organizações de defesa de direitos e que trabalham especialmente com o a liberdade de expressão vão analisar e apurar as denúncias para então encaminhar as informações para divulgação. A campanha não se oferece assistência jurídica às vítimas de violações, mas pretende contribuir com o encaminhamento das denúncias confirmadas para autoridades competentes.

 

*Débora Britto é jornalista e faz parte do Programa de Direito à Comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire.