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Dia de luta contra golpismo midiático denuncia monopólios nacionais e regionais

Em Pernambuco, atos contra conglomerado de mídia estadual, rodas de debate e oficinas e o lançamento oficial do documentário Freenet reuniram ativistas da cidade e do campo

No último dia 5 de maio, a hastag #MonopólioÉGolpe ocupou ruas e redes para denunciar a relação antidemocrática de grandes empresas de comunicação brasileiras com o processo de de golpe me curso no país.  Puxado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e Frente Brasil Popular, o Dia Nacional de Luta Contra o Golpismo Midiático levou o debate da democratização da comunicação para centenas de pessoas pelo país. O manifesto nacional Monopólio é Golpe reúne as frente de luta a serem travadas para a efetivação da democratização da comunicação no Brasil e orientou os atos públicos no dia de luta.

Como um símbolo exemplar de uma empresa que viola a Constituição Brasileira, a Rede Globo e suas filiadas foram escrachadas pelas vozes populares e democráticas. Em Pernambuco, o maior conglomerado de mídia do estado, o Sistema Jornal do Commercio, do Grupo João Carlos Paes Mendonça (JCPM) – que concentra uma emissora de televisão, uma de rádio, um jornal e um portal de notícias online – também foi escrachado com manifestação em frente ao arranha-céu do grupo empresarial.

“A gente não pode conceber a questão da concentração da mídia apenas no âmbito nacional, porque também a mesma nocividade da concentração da mídia se dá nos estados. O JCPM é um grande exemplo, se não for o maior. É um ícone de como essa concentração da mídia se beneficia economicamente. Você vê que o JCPM se utiliza do Sistema Jornal do Commercio, da sua mídia, para promover seus interesses econômicos, por exemplo, no mercado imobiliário, na construção civil, então ela reflete tudo isso”, explica Renato Feitosa, integrante do Centro de Cultura Luiz Freire e Fórum Pernambucano de Comunicação.

No ato, movimentos comumente ignorados, como o Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e do Fórum Pernambuco de Comunicação (Fopecom) puderam denunciar, no território simbólico do bairro de Brasília Teimosa, o monopólio de comunicação, o avanço da especulação imobiliária predatória e a supressão de direitos promovida pelo grupo empresarial JCPM, que já foi alvo de ações do Ministério Público do Trabalho (MPT) por desrespeitar direitos trabalhistas e de denúncias de uso de trabalho análogo à escravidão na construção do Shopping RioMar. “O Jornal do Commercio e Rádio Jornal, por exemplo, são historicamente reconhecidos por distorcer os fatos, criminalizar os movimentos sociais e, enfim, tudo isso, ela foi escolhida para representar o monopólio da mídia”, lembra Renato. Durante a manhã, as e os ativistas conversaram com as/os moradores de Brasília Teimosa sobre a democratização da comunicação e a denúncia ao golpe.

Ato em frente ao empresarial do Grupo JCPM marcou Dia Nacional de Luta Contra o Golpismo Midiático, no Recife. Foto: Levante Popular da Juventude - Pernambuco

Ato em frente ao empresarial do Grupo JCPM marcou Dia Nacional de Luta Contra o Golpismo Midiático, no Recife. Foto: Levante Popular da Juventude – Pernambuco

O Acampamento pela Democracia, localizado na Praça do Derby, no Recife, concentrou diversas atividades, como rodas de diálogo sobre rádio e mobilização social, oficinas de democratização da comunicação e manifesto de coletivos de comunicação popular. O documentário Freenet também integrou a programação de atividades do dia, abrindo espaço para discussão urgente sobre privacidade e liberdade na internet.

Coletivos e organizações do meio urbano também estiveram juntas a movimentos do campo denunciando os monopólios de comunicação regionais e pensando estratégias de comunicação populares, horizontais, democráticas. O Coletivo Terral de Comunicação Popular realizou no fim do dia com o manifesto “Monopólio é Golpe! Sem Democratização da Comunicação não pode haver Democracia”. “Nós, movimentos sociais do campo e da cidade pela democracia, denunciamos que nosso direito à comunicação está sendo proibido. Somos censurados todos os dias! Denunciamos que estamos vivendo um GOLPE no nosso país em que grande parte da mídia brasileira é conivente e articuladora!”, anuncia o manifesto. Num gesto simbólico, o ato terminou com a encenação da destruição da Rede Globo e outras empresas de comunicação que também violam o Artigo 5º da Constituição Brasileira, a exemplo do SBT, Editora Abril, Rede Record.