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Debate sobre comunicação lotou auditório da Favip/DeVry, em Caruaru

 

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Ivan defende o projeto de Lei da Mídia Democrática (Foto: Renan Zovka)

Democratização da mídia brasileira, responsabilidade social dos comunicadores e comunicação como um direito humano foram algumas das temáticas abordadas pelo integrante do Centro de Cultura Luiz Freire Ivan Moraes, pelo professor de comunicação Tenaflae Lordêlo e os jornalistas e blogueiros Wagner Gil e Igor Maciel, com mediação do gerente de Participação Digital da Prefeitura de Caruaru Daniel Finizola, durante o Colóquio de Participação Digital realizado na última segunda-feira (dia 27), na Favip/DeVry, em Caruaru. O debate lotou os cerca de 200 lugares disponíveis no auditório da universidade.

Para um país ser considerado democrático, a liberdade de expressão e o direito à comunicação são ferramentas essenciais. Porém a história da mídia e o cenário político mostram que esse direito vem sendo historicamente negligenciado. Empresas como a Rede Globo nasceram no período da Ditadura Militar, e foram um dos aliados que fortaleceram o regime anti democrático.

Um fato que contribui para que a mídia não seja um espaço democrático, é que no Brasil, aproximadamente 261 políticos são sócios ou diretores de veículos de meios de comunicação. Este vínculo com instituições e empresas que detêm concessões é algo que fere o artigo 54 da Constituição Federal.  O DEM, PMDB e o PSBD são os partidos políticos que apresentam a maior concentração de políticos, que estão reunidos principalmente nos estados de Minas Gerais (com 38), São Paulo (possui 28) e a Bahia (24).

Outro problema que impede a democratização da comunicação apresentada durante o evento é à centralização midiática. Menos de dez famílias controlam os principais veículos, o que contribui para a falta de diversidade e pluralidade cultural, algo também previsto na Constituição e que que até hoje não foram regulamentados.

Para mudar essa situação, em 2012, a sociedade civil e diversas organizações sociais iniciaram a coleta de assinaturas para a criação de um projeto de lei de iniciativa popular para regulamentar a comunicação no País, que tem como ideais: impedir a venda ou aluguel de canais para terceiros, estabelecer o direito de resposta, garantir a produção de conteúdo regional e limitar o tempo da publicidade, entre outros pontos. Para contribuir com essa iniciativa, qualquer cidadão pode imprimir o kit coleta disponível na internet, coletar assinaturas, divulgar a campanha e fazer sua parte na luta pela democratização da comunicação.

PELAS BEIRADAS – Por outro lado, as mídias livres, populares, independentes e comunitárias têm contribuído para expor demandas que por vezes não são apresentadas pela mídia tradicional. Nesse setor, a internet tem sido um terreno fértil para iniciativas como blogs e páginas em mídias sociais. Um exemplo disso foi exposto por Wagner Gil e Igor Maciel, que denunciaram em seus blogs o caso  Jorge Quintino (até então ausente do noticiário), o que posteriormente acabou repercutido em toda imprensa pernambucana.

Apesar de ser um meio muito utilizado pelos ativistas para pautar questões invisibilizadas, a internet, porém, não pode ser o único meio para dar voz aos indivíduos.  “Já passou da hora de a gente, no Brasil tratar a comunicação como um direito humano, igual à saúde, igual à educação, igual ao transporte, igual à moradia”, pontuou Ivan Moraes Filho.