Gostaríamos de pontuar como positiva a matéria “Não ao preconceito”, do Diario de Pernambuco desta sexta-feira, dia 14 de maio, no caderno Vida Urbana, por visibilizar uma das mais constantes violações de direitos humanos encontradas no ambiente escolar: o racismo.

“São muitas as atitudes racistas identificadas pelos alunos tanto no comportamentos destes, quando de professores, funcionários e familiares, que preocupa os participantes. Assim, uma matéria com tal qualidade informativa fortalece o movimento social na busca de uma sociedade menos racista e mais justa, diz Cida Fernandez, integrante da coordenação do CCLF e do projeto do Núcleo de Direitos Humanos nas escolas, que cobre atualmente as unidades Rodolfo Aureliano, na Várzea, e Arraial Novo, em Torrões;.

A matéria vai além da denúncia do episódio de discriminação racial que teria sofrido o professor, traz para a discussão a questão do racismo institucional e informa sobre a lei federal  10.639 de 2003, que obriga a inclusão na grade curricular das escolas do ensino infantil, fundamental e médio, de História e Cultura Afro-brasileira . “Precisamos parabenizar a jornalista porque sua matéria efetivamente informa as pessoas de forma consistente, quando cita as bases legais e argumenta sobre o direito conquistado e o exemplo dado pelo professor, que merece ser não só copiado como visibilizado”.

O leitor é informado ainda obre a forma como o professor procurou repercutir o ocorrido em comissão de direitos humanos e mobilizando colegas de profissão e instituições ligadas ao movimento negro. Vemos também um desfecho favorável a questão, publicizado no depoimento do coordenador da comissão de direitos humanos cidadania e diversidade da gerencia regional de educação da região metropolitana norte.

Observamos a matéria buscar assim, não só estimulo à prática da cidadania pela busca da reparação moral de vítima de preconceito, como reflexão sobre o assunto, corroborada pelo trecho: “o episódio é pequeno para quem não vê o conjunto da críticas e o simbolismo do professor Antônio Rufino e de uma cultura negra pouco respeitada, mesmo 122 anos após a escravatura. Na visão de especialistas, aceita-las ou incentiva-las pode representar racismo institucional ou falta de conhecimento das leis brasileiras ou da democracia no que toca questões étnicas.”

Coisa rara no jornalismo atual, a repórter posiciona-se com transparência e demonstra sua opinião esquivando-se do mito da imparcialidade. “Antônio Rufino tentou colocar a lei em prática. Deveria ser copiado”, diz o final da reportagem.

Também poderia ser copiada a jornalista Silvia Bessa, que assina a matéria.

Como o texto está associado a data em que se recorda a assinatura da Lei Áurea, esperamos que a questão continue entre as prioridades dos jornais também nos demais dias do calendário.

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