O Diário de Pernambuco de domingo, dia 16 de maio, véspera do dia Internacional de Combate à Homofobia, em seu caderno Vida Urbana, traz mais um exemplo de jornalismo cidadão na matéria “Diário de (in) visíveis”. Jovens de escolas tanto públicas quanto particulares, vítimas de preconceito, contam suas próprias estórias sem a interferência de um mediador, o jornalista, com guia de perguntas já estabelecidas. Vemos também matérias vinculadas, que fazem importantes correlações entre a temática de direitos humanos e diversidade sexual nas escolas e a lei de diretrizes e bases da educação, além de uma pesquisa sobre o percentual assustador de preconceito contra grupos homoafetivos. 

A matéria é desencadeada pelos relatos destes/as estudantes, em seus diários pessoais, cujos textos foram autorizados e entregues à equipe da reportagem. 

Os jovens ao escreverem suas próprias páginas e lerem seus textos publicados no jornal, ultrapassam a barreira dos ‘filtros’ da reportagem tradicional e conseguem visibilizar  seus maiores problemas e aflições: constantes agressões e violações no ambiente escolar, por conta da orientação sexual, inclusive feitas por professores – agentes de práticas de discriminações veladas.

Cidadania

Para Jackson Junior, membro do Conselho de Direitos Humanos de Olinda, a reportagem foi importante por trazer à luz, a discussão do preconceito nas escolas que começam a ser observadas como lugares não isentos de preconceito, assim como os professores. “Professores estão nas escolas para educar pessoas não para o preconceito e sim, para a cidadania, que pressupõe respeito à diversidade. E, muitas das violações em ambiente escolar não são levadas em consideração e é importante que isso seja visibilizado e discutido”, defende. 

O jornal também, ao oportunizar o espaço de fala a jovens, educadores representantes de grupos LGBT e pesquisadores do tema,  não só sensibiliza o leitor para problemas invisíveis aos olhos sociais, como promove um direito humano caro a grupos socias marginalizados : o direito à comunicação. Esperamos que a iniciativa de dar voz ao segmento social em questão seja repetida, independentemente de datas significativas do calendário de direitos humanos.

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