O Caderno de Polícia da Folha de Pernambuco vem diminuindo a sua atenção para questões tão antigas, como o uso do termo “menor”. A Folha hoje chega a usar o termo “menor infrator”, várias vezes, numa mesma matéria. O desuso do termo menor já foi bastante discutido com a mídia e incorporado pela maioria dos jornalistas do país. Esse debate já está tão massificado que a explicação da mudança do termo pode ser dada pelo seu companheiro/a do lado ou pelos colegas de outras redações. Por isso, não iremos fazer essa retrospectiva histórica.

Uma outra questão no Caderno de Polícia é o julgamento prévio dos motivos dos assassinatos. Hoje, a divulgação da morte de um cabeleireiro é ligada ao fato da vítima ser um garoto de programa. Essa informação ganha relevância a partir do depoimento da irmã da vítima, segundo o jornalista informa. As aspas da irmã explicam que o cabeleireiro era travesti. Mas, todo travesti é garoto de programa? Não. Será que essa reflexão foi feita durante a matéria?  Além disso, os responsáveis por investigar o crime, os agentes do Núcleo da Força-Tarefa de Homicídios afirmam que há poucas informações para esclarecer a autoria do crime.  Geralmente, a fonte principal é a informação da Polícia. Mas no caso de hoje, as doses de sensacionalismo sobre a opção sexual da vítima mereceram mais destaque.

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