Matam-se em Pernambuco aproximadamente quatro mil pessoas por ano.

Vários desses assassinatos, especialmente os mais escabrosos, normalmente ganham destaque no noticiário policialesco, seja na tevê, no rádio ou na televisão.

São dezenas, às vezes centenas, todos os meses.

Alguns ganham destaque pela forma com que foi cometido.

Outros, pela “importância” da vítima.

Esta semana o Recife chorou a morte de um rapaz que havia sido notícia alguns anos antes. Pobre, negro, filho de uma ex-carroceira, havia passado (em primeiro lugar) no vestibular. Estava perto de se formar, ia fazer mestrado. Um exemplo de vencedor dentro de um sistema que joga contra o tempo inteiro.

O universitário Alcides Lins morreu por engano e mais uma vez foi destaque na mídia. Dessa vez derrotado pela violência da qual pensava ter escapulido.

Como poderia ser sempre, as matérias do dia lamentavam a morte do rapaz esforçado e inteligente, bom filho, bom irmão. Como poderia ser sempre, ressalta-se o ser humano cheio de planos que perdeu a vida brutalmente.

Mas o vício do ano inteiro faz com que a gente também pise na bola. E foi assim que o belo texto da repórter Isabella Fabrício ganhou um título que não merecia. E foi bater na capa da Folha de Pernambuco “O adeus a um inocente”.

Classificar o estudante batalhador como “um inocente” é um engano não só por classificar a vítima apenas pelo não envolvimento com o crime (quase como se isso fosse esperado de alguém como ele). Mas e os outros milhares que tombam todos os dias? Serão culpados?

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