O debate sobre Comunicação e Educação deu início à sequência de audiências públicas que a Frente Parlamentar de Comunicação de Pernambuco (FPComPE)  programou-se para realizar na Região Metropolitana do Recife. A reunião aconteceu na última segunda-feira, dia 15 de agosto, no auditório da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Antes disso, a frente já havia promovido um encontro em Nazaré da Mata. Outras audiências estão programadas para acontecerem nos próximos meses, em todas as regiões de desenvolvimento de Pernambuco.

Na mesa que comandava os trabalhos, pouca diversidade. Lá, sentados, estavam os deputados Ricardo Costa (coordenador-geral da Frente) e Tony Gel; Victor Carvalho, assessor da Casa Civil, que na ocasião representava o secretário Tadeu Alencar; Ivonete Melo, presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Diversão de Pernambuco; Cléo Niceas, presidente da Associação de Empresas de Rádio e Televisão de PE (Asserpe); Pedro Paulo, presidente da TV Nova; e Inaldo Salustiano, presidente do Sindicado dos Radialistas de PE.

Costa abriu a sessão destacando os objetivos da Frente: as audiências foram planejadas a fim de que a sociedade discuta “propostas, ideias e sugestões acerca da cadeia produtiva da comunicação no Estado”. O primeiro eixo de debate, Educação, de acordo com o deputado, tem como finalidade “ressaltar a importância da formação do profissional de comunicação e identificar os principais problemas nas atividades destes agentes”. O coordenador sugere que a Frente discuta “incrementos acadêmicos”, éticos e técnicos, que possam aperfeiçoar o trabalho dos profissionais.

Nessa linha seguiu-se uma palestra do jornalista e professor Carlos Tanouss. O convidado discursou sobre as contribuições da Educação para a Comunicação a partir de uma visão instrumental, abordando, apenas, a preparação e profissionalização do estudante de comunicação para as necessidades do mercado de trabalho que já existe.

Na linha do mercado, Tanouss afirmou que as empresas clamam por profissionais “polivalentes, multimídias, que saibam operar as novas tecnologias da comunicação, mas também que são capazes de desenvolver um senso crítico sobre o mundo e suas ações.” O professor fala de uma formação interdisciplinar do estudante, que integre teoria e prática, e que atenda, obviamente, ao que as empresas de comunicação buscam. “O estudante deve conhecer e caminhar nessa estrutura de mercado”, afirmou.

Outros lados

Com o microfone aberto, a audiência ampliou seus temas, suas propostas e seus horizontes. Cátia Oliveira e Ivan Moraes Filho, representantes do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom), trouxeram novas nuances para a mesa, além de contribuições de Ivonete Melo, José Aparecido dos Santos (da União dos Estudantes de Pernambuco e DACom da Faculdade Maurício de Nassau); e do radiodifusor Pedro Paulo.

Ivan apresentou o Fopecom, grupo que há oitos discute e propõe políticas públicas para a comunicação no Estado e que atuou nas conferências estaduais e nacional de comunicação, que aconteceram em 2009. “Por mais que a cadeia produtiva tenha sua importância, não podemos restringir a discussão do direito à comunicação apenas às necessidades do mercado. Seria tão incoerente quanto discutir saúde apenas com médicos e donos de hospitais. É importante que esta Frente aglutine os diversos setores da sociedade que estão cada vez mais interessados em participar das decisões sobre políticas de comunicação que acabam afetando todo mundo de diversas maneiras”.

O integrante do Centro de Cultura Luiz Freire resgatou duas propostas que resultaram da Confecom relacionadas à Educação: a criação da disciplina Educação para as Mídias no currículo de escolas públicas e a construção de Núcleos de Produção de Comunicação. Ivan também sugeriu aos deputados membros que a FPComPE se aproximasse das discussões e atividades da FrenteCom — Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação com Participação Popular —coordenada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP). E pautou o representante da Casa Civil, Victor Carvalho, e a Alepe, como um todo, da urgência de levar adiante a votação e efetivação do projeto da Empresa Pernambuco de Comunicação (EPC), que dará independência e sustentabilidade à TV PE.

Cátia Oliveira complementou a fala de Ivan, afirmando a necessidade de o Governo de Pernambuco capacitar professores da rede pública para lecionarem a disciplina de Educação para as Mídias. Também destacou pontos importantes referentes à produção audiovisual pernambucana, ao citar a dificuldade que cineastas e produtores locais possuem em distribuir e exibir seus filmes no Estado. “O fomento à produção evoluiu, porém existe um gargalo para a exibição das nossas obras”, disse. Cátia, que também é documentarista, ressaltou que diversos filmes pernambucanos são exibidos e premiados em festivais nacionais e internacionais, entretanto Pernambuco perde de assisti-los devido ao pouco espaço e que se tem na TV e salas de cinema para a produção local.

A presidenta do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Diversão, Ivonete Melo, acrescentou mais uma proposta de fortalecimento do cinema e teatro pernambucanos: a construção de escolas para técnicos. “Os poucos técnicos de teatro e cinema que temos aqui são praticamente autodidatas”, diz Ivonete. “É preciso formar este pessoal”.

Pedro Paulo pediu que o governo repassasse verbas para emissoras educativas e o presidente da Associação das Empresas de Radiodifusão em Pernambuco (Asserpe) lembrou que existem hoje mais tevês educativas que comerciais concessionadas em Pernambuco. “Essas emissoras podem dar conta dessa demanda reprimida que existe hoje. Só que para isso precisam sair do controle de igrejas, como muitas vezes acontece”.

A audiência teve espaço para todos que procuraram dialogar. O Fopecom e o assessor da Casa Civil disseram estar “à disposição” da Frente Parlamentar de Comunicação. Ao final da reunião, assessores da Frente colheram propostas sistematizadas e assinadas por cada um que se propôs falar ao microfone e contribuir com o debate.

A próxima reunião da FPComPE será em Palmares, no dia 2 de setembro e deverá contemplar a Mata Sul. A Frente volta à Alepe no dia 12 de setembro.

O OmbudsPE é um projeto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada e esta nota seja incluída.

Realização:

Apoio: