A fotografia da Folha de Pernambuco do caderno Polícia de ontem, dia 9, desrespeita a dignidade humana de forma espantosa numa matéria sobre o assassinato de uma jovem a pedradas e pauladas.  A forma como a jovem é retratada na imagem publicada no tablóide agride a cidadania e fere diretamente  princípios fundamentais garantidos pela constituição de dignidade da pessoa humana e o espaço reservado à intimidade (art. 5º, X do CF).

Além de não respeitar a memória da jovem morta, não respeita o público já que o intuito parece ser de procurar chocá-lo. Em fotografia colorida o leitor depara-se  com jovem morta embaixo de tronco de árvore com cabeça esmagada, sangue  em volta e tecido orgânico espalhado.
 
A matéria abre com os instrumentos que assassinaram a jovem, concentrando-se mais na maneira como a ela foi morta, ou seja na violência cometida, que na apuração do caso.

Claro que a vitima, no caso, tratava-se de uma pessoa pobre, como tantas outras em situação de vulnerabilidade que já foram expostas dessa maneira por alguns veículos de comunicação. Fosse mais abastada, possivelmente seria retratada de outra forma.

Envolvimeto com drogas é o que ressalta a matéria, embora não haja nenhuma apuração que abra espaço para uma possível defesa da vítima, nem depoimento de familiares. 

Aliás, a tentativa de ‘justificar’ um assassinato pela imputação de envolvimento com drogas ou com a delinquência de uma forma geral (mesmo sem provas) é um retrato da seriedade (ou da falta dela) com que se tratam crimes contra a maior parcela da sociedade.

É preciso que os jornais compreendam de uma vez por todas que a criminalização das vítimas em nada agrega ao conteúdo de suas notícias nem ao combate efetivo à violência em nosso estado.

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