Os gráficos pernambucanos voltaram ao trabalho ainda na noite de ontem, após fecharem acordo com as empresas. Depois de cinco dias de braços cruzados, os trabalhadores conseguiram um aumento de 10% para todos os profissionais dos jornais, pagamento pelos dias trabalhados e a garantia de que não haverá represálias aos grevistas. “Fomos vitoriosos”, avaliou o presidente do SindGraf-PE Iraquitan Silva. “Durante todos estes dias, pudemos ter a experiência da luta dos trabalhadores contra o capital. As empresas gastaram muito, trouxeram gente de outros estados para furar nossa greve, colocaram jornais horríveis nas ruas, mal impressos. No final, nós vencemos e também o povo pernambucano, que tem novamente  jornais de qualidade nas bancas”.

O dirigente, porém, mantém o compromisso de solidariedade com os jornalistas ainda em campanha salarial. “Sabemos da importância que tem a união e compreendemos que nosso movimento foi importante para a decisão do estado de greve nos colegas das redações. Se eles resolverem que têm que parar, pararemos juntos.”

Mas a assembleia dos jornalistas que havia sido convocada para o meio dia desta quarta-feira – e que definiria sobre a paralisação (9/11) foi adiada. A mudança ocorreu por conta de um convite feito pelos representantes das empresas de comunicação para negociar, ainda esta tarde. Sendo assim, a reunião da categoria foi remarcada para a próxima sexta-feira, também ao meio dia, na sede do Sindicato dos Gráficos de Pernamabuco, que fica na Rua do Veiga.

Os jornalistas estão em estado de greve desde a última segunda-feira e espera-se que o próximo encontro defina os rumos do movimento. O principal entrave ao acordo até agora é a chamada “cláusula do diploma”, que obriga empresas de comunicação a contratarem profissionais formados para as vagas de jornalistas. De acordo com o SinjoPE, o patronato recusa-se a discutir esta condição.

Durante a tarde da última terça (8/11),  houve bastante debate sobre o movimento dos jornalistas nas redes sociais, especialmente por conta da indefinição sobre a data da assembleia – o adiamento só foi confirmado no início da noite. Através do seu twitter, o SinjoPE acusou o Jornal do Commercio de ameaçar seus profissionais de demissão caso entrem em greve – o que, por sinal, é ilegal.

*A foto que ilustra esta matéria foi retirada do site do Sindgraf

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