A quem atende o modelo de TV nipo-brasileiro adotado no país? O que muda no telejornalismo frente as novas tecnologias ? Estas questões foram debatidas no seminário TV Digital: Desafios e Perspectivas. O evento foi  realizado na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no miniauditório  do bloco A,  na última segunda –feira , dia 30, com mesas no horário da tarde e à noite. Os temas  A política da TV Digital no Brasil: Atores, Interesses e Decisão Governamental e Televisão Digital e Telejornalismo: Transformações e Desafios,  promoveram acalorados debates.

Para o integrante do Núcleo de Teoria da Democracia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Juliano Domingues, o decreto 5 820, que dispõe sobre a implantação do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre – SBTVD-T, lançado na copa de 2006, avalizou um modelo que veta a multiprogramação, ao passo que  prioriza a qualidade de som e imagem digitais. De acordo com o mestre em ciência política, professor de jornalismo da Unicap, o novo serviço deveria ser regulamentado e passar pelo processo de novas concessões. Na verdade, o decreto  concede  às emissoras de TV, o mesmo espaço que já ocupavam no espectro analógico (6 MHz). Segundo Domingues, a medida só beneficiaria  os radiodifusores, pois não abre o espectro para novas emissoras e programações. Para o professor, o espectador assistirá aos mesmos canais, só que em alta definição

“Esse modelo de tevê digital não vai vingar. A sociedade da informação já não aceita mais receber mensagem, quer participar,  interagir e informar suas demandas”.defende o jornalista do Centro de Cutura Luiz Freire e blogueiro Ivan Moraes Filho, integrante da mesa de debate da tarde. De acordo com o jornalista, o grande público não se contentaria mais com a linearidade da tevê convencional e por isso, cada vez mais estaria buscando outros meios como a Internet.

Já a mestre em Comunicação e Culturas Midiáticas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Lívia Cirne, também colaboradora do Laboratório de Aplicações de Video Digital/UFPB, o Lavid, Lívia Cirne, aposta na possibilidade de desdobramento das matérias jornalísticas através de aplicativos que poderão ser desenvolvidos com a novas tecnologias. Como clicar em algum item ou ícone para se ter acesso a novos conteúdos, explica a integrante da segunda mesa de discussões, no horário da noite.

Para Domingues, o recurso abriria portas para mais merchandizing na tevê, sem muitos desdobramentos para novas programações já que a multiprogramação está vetada.

Mas, para o telejornalismo Lívia crê que, neste novo cenário de avanços tecnológicos,  haverá mudanças no quadro de profissionais e a televisão passará a investir em novos programas e em novas equipes.

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