Análises

Intervenção na imagem de João Paulo Seixas

         

Desde a segunda -feira (21), caminhoneiros de todo País fazem protesto nas principais vias contra o aumento do combustível, emespecial,o do óleo Diesel. O estranhamento diante desta nova “greve” dos caminhoneiros está justamente na pauta única (redução dos impostos) e nas representações participantes da paralisação, as mesmas do movimento de 2013. Esse cenário trouxe a tona o questionamento se esse movimento está realmente para defender a coletividade, questionando a política atual da Petrobras, por exemplo, ou é insuflado apenas para garantir os altos lucros das grandes empresas, colocando a população contra os impostos, ou pior reduzindo o debate da carga tributária, no Brasil, a interesses patronais.

O alerta sobre o questionamento se a paralisação é um movimento das transportadoras ganha peso, pelo evidente  apoio que a mídia corporativa vem dando a “greve” e desviando a sociedade da  real discussão sobre a política praticada, desde o golpe de 2016, de lógica privatista e entreguista que tem sido levada adiante pela gestão do tucano Pedro Parente na presidência da Petrobras.

O Diário de Pernambuco trouxe na capa da edição desta quinta-feira (24)  a seguinte manchete: “Um País refém dos Caminhoneiros”. Essa manchete foi criticada nas redes sociais, ao longo de todo o dia, por principalmente colocar alguns trabalhadores contra os seus interesses, como destacou a jornalista Ana Veloso, professora da UFPE e coordenadora do Observatório de Mídia (OBMIDIA/UFPE) – “ Lamentável que um jornal tão importante, o mais antigo da América Latina opte por oferecer, à sociedade, uma manchete tão infeliz, que coloca trabalhador contra trabalhador.”

Mais uma vez um dos principais jornais impressos do Estado defendendo os interesses da elite e de um mercado, o qual representa. Se a manchete choca, o conteúdo da matéria de uma página inteira é o mais do mesmo. Seguindo as demais empresas de comunicação da mídia corporativa, a matéria do Diário no caderno de Economia, a qual a manchete chama, é apenas um relato factual do “caos” na Região Metropolitana do Recife em consequência da paralisação. Um apanhado do que foi comentado durante todo o dia de ontem na internet.

Perdeu o  jornalismo, e consequentemente o leitor do Diário, ao deixar passar a oportunidade de discutir sobre a carga tributária, mas também sobre a margem de lucro das grandes empresas, de questionar a atual política de preço do combustível, que passou a ser ditada pela variação da cotação do petróleo no mercado internacional, o que ocorre em dólar, e de principalmente, deixar de informar a sociedade que quando se tira a incidência de impostos como o  PIS/COFINS dos preços das mercadorias, se retira as receitas que financiam a Seguridade Social, que engloba a saúde, a assistência social e a previdência social, por exemplo. Perdemos leitores de usufruirmos de um bom material para ajudar a entender a conjuntura difícil a qual vivemos, perdeu os jornalistas do Diário de fazer jornalismo porque estão refém do mercado midiático.

 

O OmbudsPE é um projeto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada e esta nota seja incluída.

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