Por Rafael Marroquim*

A cobertura empreendida pelos jornais durante o período eleitoral esteve mais próxima de uma “corrida de cavalos” – ou “corrida presidencial”, no dizer do Jornal Nacional -, do que um debate de ideias. O noticiário político se dividiu entre escândalos, agenda de candidatos e as pesquisas semanais, mostrando quem estava atrás ou à frente na competição. Passadas as eleições, a maratona agora é outra: a busca por governabilidade e a força dos partidos políticos na ocupação de cargos púbicos.

Com o debate em torno da nova composição ministerial, como divulgou o Jornal do Commercio na notícia “Dilma anuncia mais 10 ministros” , na última quinta-feira, dia 09, não tem sido diferente. A cobertura dos jornais vem repercutindo os mesmos posicionamentos e até recados do campo político. As manchetes estampam os partidos que mais cresceram ao lado dos novos ministérios exigidos. A sociedade civil, via de regra, quase nunca é consultada. O fato pode também ser observado na notícia “Pressão por espaço no governo de Dilma” , publicada no Diario de Pernambuco, no dia 16 de novembro deste ano. A matéria abordou a mobilização dos movimentos sociais na nova corrida por cargos.

A notícia, contudo, repercutiu as reivindicações dos movimentos sociais tal qual o pragmatismo dos partidos políticos. São empregadas expressões como “querem uma fatia do poder público”. O presidente da ONG Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro), frei David Santos, citado na matéria, diz que “entramos numa briga de foice. Todo mundo quer cargos”.

O que se tem esquecido é que a pluralidade de fontes deve ser acompanhada por critérios mais próximos do argumento do que da força, fator determinante em qualquer debate público. À revelia das exigências partidárias, ou do botim pela divisão do poder, os jornais deveriam abordar também que segmentos da sociedade civil podem representar, por mérito e de fato, os interesses e reivindicações em questão. Com isso, ao invés da briga de foice ou do cabo de guerra, teríamos novos competidores em cena, que deixariam as arquibancadas para participar da corrida.

* Rafael Marroquim é Jornalista.

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