O Ombudspe pontua como positiva a iniciativa do jornal Diário de Pernambuco de publicizar, inclusive com certa matiz de destaque, e de forma sóbria, a decisão do Supremo Tribunal de Justiça, de autorizar a adoção de duas crianças por casal homoafetivo no Rio Grande do Sul. Fazemos apenas, uma ressalva ao título ‘Casais gays comemoram’ que não inclui aí lésbicas. Menciona somente homosexuais do sexo masculino.

O texto,  publicado, ontem, 30 de maio, no caderno Brasil (embora contra-capa) conta com espaço de praticamente meia página na parte superior do caderno e fotografia colorida que cobre espaço de três colunas. A matéria apresenta levantamento do número de adoções no país, de acordo com a Associação de Gays, Lésbicas, bissexuais, travestis e Transexuais (ABGLT) e depoimentos do presidente da ABGLT e  da coordenadora da comissão nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia(CFP), que menciona não haver nenhum estudo que comprove que a adoção pode trazer danos à criança por conta da orientação sexual de seus pais.

Jackson Jr. membro do conselho de Direitos Humanos de Olinda, encara a reportagem também como positiva e diz sentir-se  até mais cidadão, quando vê que muitas questões que apontam para alguns avanços são publicizadas. Jackson lamenta o fato, ainda, de não termos uma legislação para tratar das questões referentes ao segmento LGBT. “Os parlamentares são eleitos e recebem para legislar para toda a sociedade e não para seus grupos religiosos. Devem lembrar que como brasileiros devem legislar para todos os brasileiros. Como isso não acontece, muitas questões não avançam”, reflete.

Segundo o ativista,  a lacuna faz com que diversas questões, que poderiam ser resolvidas em outras instâncias, tenham de ir para o  judiciário. Contudo, vê como importante a divulgação da conquista, assim como o espaço dado pela mídia e acrescenta que  há alguns anos, a publicação pelos jornais, de uma decisão do supremo tribunal favorável ao segmento, seria algo inimaginável.

“Acho importante quando matérias positivas são divulgadas, porque todos estão acostumados a ver somente reportagens  criticando grupos homoafetivos”.

Notícias de conquistas de grupos estigmatizados quando cobertas pela imprensa, além de reiterar a função social do jornalismo, informa  ao leitor que as possibilidades de avanços em diversas causas que violam os direitos humanos são concretas, só não recebem os holofotes da mídia.

O OmbudsPE é um projeto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire. É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que a fonte seja citada e esta nota seja incluída.

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