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A dor deles não aparece no jornal: demissões no JC empobrecem o jornalismo pernambucano

O jornalismo pernambucano ficou mais pobre nesta quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014.  Às vésperas do carnaval, a direção do Jornal do Commercio pôs em prática a decisão de demitir nada menos que  doze jornalistas, além de funcionários de outros setores. Em nota oficial, a empresa que  alega que responde à “difícil conjuntura por que passam as empresas de comunicação no país” aliado a um “processo de modernização” que revela estar implementando.

Curioso – e triste – que para grupos como o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, a palavra “modernização” signifique necessariamente um corte de pessoal. Principalmente quando se tratam de profissionais de competência e experiência comprovada como foi o caso de diversos dos dispensados nesta ocasião, alguns deles com décadas de atuação no jornalismo e coleções de prêmios conquistados em nome do jornal em que trabalhavam.

Em comunicado público, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco lembra que o “passaralho”, como é chamado esse tipo de demissão em massa, no jargão da categoria, não começou agora: ” Somente no caso de jornalistas, as dispensas no SJCC começaram com os 4 correspondentes do NE10 do BA, CE, RN e PB, aos quais somaram-se, no mesmo período, outros 13 , totalizando 28 profissionais com as demissões anunciadas hoje”.  A entidade sindical também ataca a opção por cortar custos justamente nos setor de recursos humanos: “Uma reestruturação não pode deixar de considerar a supressão de regalias e gastos supérfluos em setores que não foram alcançados pelos desligamentos”.

A tal “reformulação” em curso no JC acaba com editorias, elimina colunas e até a – já deficiente – cobertura do jornal no interior, quando encerra as atividades de sua representação em Caruaru.

A “crise” instalada no Jornal do Commercio, que em seus comunicados oficiais costuma gabar-se do sucesso de assinaturas e vendas nas bancas, representa a crise do jornalismo comercial brasileiro. O mesmo jornalismo que, ano após ano, recebe bilhões de reais de anúncios pagos por governos municipais, estaduais e federal. O mesmo jornalismo que traveste seu predominante interesse comercial de serviço público.

Muito maior do que os números que possam ser apresentados, esta é uma crise que precisa traduzir-se em saídas verdadeiramente públicas de distribuição de conteúdos informativos plurais, democráticos e independentes dos ditames do mercado ou do estado.

Com as demissões de hoje, perdem não só os/as profissionais que a partir de agora não mais integram os quadros do SJCC. Perdem os que ficam, que acumularão tarefas e darão seguimento à precarização de uma profissão cada vez mais difícil de ser seguida. Perde o próprio Jornal do Commercio, em capacidade produtiva, qualidade, credibilidade e experiência.

Perdemos todos, que precisamos de informação correta e diversa para tomarmos as decisões do dia a dia.