TODAS SÃO CONCEIÇÃO
Mulheres quilombolas de Conceição das Crioulas construíram o que hoje é uma das comunidades mais organizadas do País
No município de Salgueiro, Sertão pernambucano, a cerca de 550 quilômetros do Recife, está localizado o quilombo de Conceição das Crioulas. Segundo relatos de moradores e moradoras, um grupo de seis negras livres uniu-se a um escravo fugitivo, no início do século XIX, para começarem a cultivar e fiar algodão, formando assim um povoado.
Começava aí a história dos quilombolas de Conceição das Crioulas, que a partir de então, foram se organizando cada vez mais, transformando a comunidade em um dos exemplos de mobilização em torno do resgate e da valorização da origem do quilombo. Hoje, são mais de 4 mil descendentes das primeiras famílias vivendo na localidade.
Segundo Givânia Silva, a comunidade foi uma das primeiras no Estado a se auto-reconhecer como quilombo. “Somos uma das primeiras comunidades a se formar no Estado, há mais de 200 anos, e também uma das pioneiras no processo de auto-reconhecimento. Fomos reconhecidos como quilombo em 1998 e recebemos a titulação de quilombo em 2000”, explica. “Isso graças a nossa capacidade de organização e mobilização”, completa ela.
No mesmo ano da titulação das terras, foi criada a Associação Quilombola de Conceição das Crioulas (AQCC). Com a entidade, cresceu no local a conscientização da importância da população negra e quilombola na formação da sociedade brasileira.
Conceição das Crioulas também foi precursora nas discussões que propõem uma educação diferenciada para populações quilombolas. “Nossa luta é para que haja uma educação diferenciada, para crianças, jovens e adultos em todos os quilombos do País”, conta Givânia. “Aqui em Conceição nós trabalhamos desde 1995 com essa proposta educacional.”
Apesar das conquistas por terra e educação diferenciada, Givânia acredita que ainda há muito o que avançar nos anseios da população quilombola. “A primeira e mais difícil tarefa das comunidades quilombolas é a conquista do reconhecimento na sociedade brasileira, que na maioria das vezes não consegue entender as demandas da nossa população”, comenta ela. “Mas isso é um desafio que reforça nossa característica de resistência. Com o passar dos anos, nós aprendemos a lutar.”
Posted in Pernambuco