ARTE POR TODOS OS CANTOS
Vizinhas de Gurugi estão outras duas comunidades quilombolas: Ipiranga e Mituaçu, também no município de Conde. Ambas, que aguardam a regularização de suas terras, preservam várias tradições quilombolas.
Em Ipiranga, o grupo Novo Quilombo canta e dança o coco-de-roda, mantendo a herança dos ancestrais, que festejavam ao som da zabumba, do ganzá e do caixa. “Nós temos 28 pessoas no grupo, entre jovens e adultos, que cantam e dançam”, explica dona Lenira, 64 anos, uma das integrantes. “Por causa das crianças, nós montamos um grupo chamado Quilombinhos, para essa tradição não morrer”, revela ela.
A comunidade de Mituaçu também carrega as raízes quilombolas no sangue. Tem um grupo formada por meninas entre 11 e 14 anos, que dançam a lapinha, representação folclórica ligada às festas natalinas. “Os ensaios começam sempre em setembro e as apresentações vão até janeiro”, conta Kamila Alves da Paixão, de 13 anos, uma das 11 integrantes do pastoril.
Outro indício da presença de quilombolas em Mituaçu está na culinária e pode ser representada pela aposentada Severina Moura da Paixão, 69 anos. Dona de um forno à lenha que não abandona nem depois que comprou um fogão a gás, ela repete a receita para fazer um bolo de macaxeira que aprendeu na juventude. “Aprendi a usar a folha da bananeira para cobrir a forma do bolo. Além de não grupar, ele fica mais gostoso”, revela.
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