A universalização da banda larga, barata e não discriminatória é a segunda batalha a ser defendida pelos blogueiros progressistas, destacam os debatedores, para fortalecer seu movimento. Como falar em democratização da comunicação se apenas 21% das residências brasileiras estão conectadas à internet*? A banda larga é um direito que deve ser ampliado como o direito à água e à energia elétrica, defende PHA.

A implantação do Plano Nacional da Banda Larga (PNBL) deve ser uma bandeira do movimento de blogueiros, afirma Miro, que também procura construir uma ponte sobre o tema junto ao Ministério das Comunicações. “Em conversa entre Paulo Bernardo e o Miro”, conta Paulo Henrique Amorim, “o ministro garantiu que o PNBL ofereceria internet a 1 mega por 30 reais. Eu não acredito”, diz cético. Entretanto, PHA lembra “a banda larga é o vagão, o importante é o que está dentro”.

A implantação do PNBL contribuirá para a ampliação de acesso aos blogs e redes sociais. Entretanto, para aperfeiçoar seu uso e o conteúdo produzido por blogueiros (“o que está dentro” da internet banda larga, como frisou PHA), é necessária a criação de mecanismos de estruturação desta mídia digital, baseados em dois fundos, segundo Paulo Henrique Amorim: uma central de notícias de conteúdo independente e um fundo com advogados para defender blogueiros na justiça.

Hoje, a informação dos blogs depende direta ou indiretamente do que a “velha mídia” noticia, explica Paulo Henrique Amorim. Esta central de notícias seria um pólo produtor e difusor de conteúdo que não provém dos grandes jornais e telejornais. Além disso, para PHA, os blogs não podem viver de opinião, “jornalismo não é opinião, e não podemos viver dela”, diz o blogueiro do Conversa Afiada.

Com 37 ações na justiça contra o que escreve, PHA defende a criação deste “fundo de advogados”, pegando emprestada a ideia que a deputada federal Jandira Feghali (PC do B / RJ), manifestou no encontro de blogueiros do Rio de Janeiro. O “fundo de garantia da liberdade de expressão”, como denominou PHA, agilizaria os trâmites judiciais que tentam calar a mídia alternativa. Segundo o jornalista, a deputada – que também integra a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e Direito à Comunicação – havia sugerido pleitear junto ao BNDES algum tipo de financiamento para a imprensa alternativa, sugestão também acatada por Paulo Henrique Amorim.

*Até o final de 2009, o Brasil possuía 21% das residências conectadas à internet, segundo o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

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