Por Ivan Moraes Filho

Em seu discurso meia boca na abertura da I Conferência Nacional de Comunicação, o presidente Lula falou da tal liberdade de imprensa como sendo a coisa mais legal do mundo aqui no Brasil. Disse que, quando a imprensa errava, ela mesmo se corrigia, de tão livre que é.

Que coisa boa, então, fiquei pensando. Estamos em Copenhagen?

Antes do barbudinho mais queridinho do Brasil abrir a boca, seu ministro das Comunicações, Hélio Costa, foi coberto de vaias. Tanto que quase não se ouviram suas mentiras sobre o sucesso (sic) do sistema brasileiro (sic de novo) de tv digital.

O ministro mentiu (e foi vaiado) quando falou de seus esforços para a realização da Confecom, quando até gramado do congresso sabe o tanto que o ministro tentou anular o processo (a ainda continua).

As vaias a Costa, reverberadas nos blogs e twitters Brasil afora, foram vaias à falta de políticas que garantam o direito humano à comunicação no país. Foram vaias à repressão às rádios comunitárias. Vaias à falta de um sistema público que garanta a liberdade de expressão a todas as pessoas e não apenas a alguns grupos.

Tal qual num estádio de futebol, as vaias a Hélio Costa foram as vaias a um centroavante perna de pau que ainda por cima vende-se por qualquer tostão à equipe adversária.

Pela popularidade hollywoodiana, o técnico da equipe continua ganhando aplausos como se não fosse ele quem escala seus atletas. Talvez realmente não seja.

Talvez sejam aqueles que, livres que são, perferem esconder as vaias em suas ilhas de edição.

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