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Um texto sobre mídia e um convite à reflexão (seguida de ação)

Por: Ivan Moraes Filho

Esse texto não é sobre direita ou esquerda. Não é sobre PT ou PSDB ou mesmo PSB. Não é sobre greve dos professores, sobre terceirização, sobre petrolão, coxinhismo ou petralismo, ok? Esse texto é sobre mídia.

Você que vê televisão ou recebe/compartilha notícias que foram e são distribuídas, via de regra, por empresas de comunicação precisa compreender uma coisa.

Saca domingo passado? Saca aquelas entradas todas ao vivo mostrando a turma do “fora-pt-fora-dilma-fora-corrupção”. Saca aquele fantástico com reportagem de váaaarios minutos mostrando estado por estado, medindo a quantidade de gente que na rua? Se você é do Recife, soube que no nesse mesmo dia milhares de pessoas reuniram-se no ?#?ocupecampocidade?, no Cais José Estelita, para debater as interligações entre a luta do povo rural e urbano? Pausa.

Saca ontem? Saca que no Brasil inteiro tinha milhares de pessoas que foram às ruas para mostrar indignação contra o ?#?PL4330?, que regulamenta a terceirização? Soubesse que nesse mesmo dia mais de mil indígenas passaram o dia na Esplanada dos Ministérios reclamando pela lentidão nos processos de demarcação?

Você já ouviu falar da “Marcha das Margaridas”, que todos os anos leva milhares (ano passado foram 70 mil) mulheres do campo à capital federal pra exigir seus direitos?

Não tou pedindo pra concordar com os protestos, mas reconhecer que eles existem.

Você tem condição de comparar a qualidade – e a quantidade – da cobertura que teve na mídia tradicional uma e outra legítima manifestação popular?

Você que chegou até esse pedaço do texto já compreendeu que tem muito pouca gente que controla o que é visto por todo mundo? Que a Internet, embora tenha superado diversas barreiras, (ainda?) não dá conta de equiparar as possibilidades de debate? Que diversas visões de mundo (talvez inclusive a sua) encontram-se censuradas do debate público no Brasil?

Veja bem, precisamos discutir mídia. Precisamos discutir a possibilidade de mudar de canal e ver outra versão do que quer que seja. Mais debate, mais pluralidade, mais democracia de verdade.

Há mais de um ano, dezenas de entidades da sociedade civil brasileira (não o PT, não o PSDB, não o PSB, não o PP, não Lula, não Dilma, não Aécio) sentaram-se e escreveram um projeto de lei que regulamenta os artigos da Constituição que JÁ FALAM em como devem ser distribuídos e usados os canais de rádio e televisão. Mas que, sem legislação que os completem, ainda não podem ser aplicados.

A gente chama esse projeto de “Lei da Mídia Democrática”.

O resumo do projeto: mais espaço para mídia pública (não estatal); mais recursos para a mídia comunitária; proibição para políticos com mandato e/ou igrejas de serem concessionárias de rádio e tv; adoção de cotas de 30% a 70% de conteúdo produzido localmente em emissoras de tevê; cotas de produção independente, aumentando inclusive o mercado de trabalho.

Nenhuma linha sobre censura, sobre controle prévio de conteúdo de conteúdo.

Nenhuma linha sobre acabar com empresa alguma.

Nenhuma palavra sobre interferência em linha editorial de NENHUM veículo.

Nada, absolutamente nada, sobre mídia impressa.

Ou seja: é um projeto que deseja APENAS fazer com que MAIS PESSOAS, MAIS GRUPOS, MAIS SEGMENTOS DA POPULAÇÃO possam se comunicar livremente. E possam (você incluso/a) ter acesso a MAIS CONTEÚDOS, MAIS DIVERSOS, sobre MAIS VISÕES DE MUNDO.

Esse mesmo projeto é coisa que o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, diz que só será discutido “debaixo do seu cadáver”.

Então se não for a gente, não são eles quem vão debater isso.

Independente do lado que você sambe, se você acha que todo mundo tem o direito de debater livremente sobre as coisas que considera importantes (mesmo que você não concorde), eu acho que você deve assinar esse projeto de Lei da Mídia Democrática, aqui mesmo na Internet, clicando aqui nesse link mesmo.

E acho que você deve compartilhar esse post em todos os perfis, páginas e grupos a que tiver acesso.

E acho – mesmo – que você deve ajudar a gente a mudar esse quadro.

Hoje você pode até estar contente em concordar com a maior parte das opiniões que assiste na televisão. Amanhã pode ser que não.