Análises


O que pode lá e o que não pode cá

Sob o título “Em Pernambuco, Eduardo Campos pratica a ‘velha política'”, o site de O Globo publica, desde a noite do último sábado, uma matéria falando sobre as alianças políticas que o governador pernambucano fez para vencer as eleições em 2006 e manter-se com ampla maioria na Assembleia Legislativa desde então. O texto é didático, elencando os cargos que foram concedidos em troca de apoio eleitoral e ligando o presidenciável a representantes clássicos do que ele mesmo chamou recentemente de “raposas” como Severino Cavalcanti e Inocêncio Oliveira.

Além das informações, o relato tem também análises da situação (através do deputado Waldemar Borges, do PSB) e da oposição ao governador (através da deputada Terezinha Nunes e do deputado Daniel Coelho, do PSDB).

A matéria, embora não traga nenhuma ‘novidade’ por tratar-se de um resgate histórico, é oportuna especiamente porque o pré-candidato do PSB vêm procurado, através da aliança com Marina Silva, fazer com que seu discurso possa diferenciar-se dos partidos tradicionais, dizendo-se novo na forma de fazer política.

O mais curioso para quem se interessa por análise de mídia, porém, não é exatamente o conteúdo do texto, mas o veículo onde ele foi postado. Quem assina a matéria é Jamildo Melo, que é também editor de um blog hospedado no NE10, portal que faz parte do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Além de textos próprios, o site de Jamildo costuma repercutir posts e reportagens veiculadas em outros veículos de comunicação.

Por que será que o jornalista precisou enviar um texto para um meio de comunicação nacional?  Por que o conteúdo do que diz Jamildo não foi publicado nos veículos da empresa onde trabalha? Note bem que o SJCC também possui uma agência de notícias, mas o texto publicado em O Globo foi assinado apenas pelo repórter, não havendo nenhuma referência ao lugar onde ele trabalha.

Há quem diga que é mais uma dica sobre como os donos da mídia praticam, nas nossas províncias, o “velho jornalismo”.