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Essa tal liberdade, o dono e a regulamentação

Na coluna Repórter JC, publicada pelo Jornal do Commercio no último dia 23 de dezembro, tinha uma notinha interessante. Sob o título de “Liberdade”, apenas uma frase. Emblemática:

“Agora vêm umas pessoas que parecem não ter o que fazer querendo controlar a área de comunicação deste País”, adverte o empresário João Carlos Paes Mendonça”.

A nota não diz, possivelmente porque não caberia no espaço designado ao texto, mas o citado Paes Mendonça é dono não só do Jornal do Commercio, mas também de diversas outras empresas de comunicação. Um punhado de rádios, TV, portal de internet.

Por ser proprietário de todas essas empresas, ele tem a ‘liberdade’ de telefonar para seu colunista e pedir para que sua opinião seja conhecida por quem lê seu periódico.

Outras pessoas, a maioria delas, que porventura discordem do empresário certamente não têm a mesma ‘liberdade’.

Talvez seja por isso mesmo que diversas pessoas e entidades da sociedade civil, que têm muito o que fazer, insistem em defender a existência de um marco legal para regulamentar a comunicação social no Brasil.

Com vasta experiência no setor de supermercados e imobiliário, JCPM não parece estranhar a existência de regulamentação nessas áreas.

Mais cedo ou mais tarde, compreenderá que o setor da comunicação também não está imune ao cumprimento de regras – justamente para que todos tenham a liberdade de se expressar. Até mesmo quem não é o dono do jornal.

» Liberdade

“Agora vêm umas pessoas que parecem não ter o que fazer querendo controlar a área de comunicação deste País”, adverte o empresário João Carlos Paes Mendonça.