Análises


Da luta por direitos e dos olhares de cada um

Enquanto muita gente finalizava suas compras de Natal, quase mil pessoas foram às ruas na comunidade de Engenho Maranguape para protestar contra o que consideram uma injustiça. Um jovem conhecido da comunidade havia sido preso pela Polícia Militar, acusado de participar de uma quadrilha de traficantes. Por um par de horas, seus vizinhos fecharam um cruzamento pedindo por justiça.

O protesto durou um par de horas, e terminou após violenta interferência da polícia, que não poupou o uso de cassetetes e até de armas de fogo para liberar o tráfego.

Embora repleto de relevância, a mobilização da comunidade não teve tanta repercussão nos meios de comunicação tradicionais. Nenhum jornal impresso publicou sobre a manifestação ou sobre o confronto com a polícia. A Rádio Jornal e o JCOnline noticiaram o fato com parcimônia. Bem diferente dos veículos comunitários da comunidade.

No texto publicado pelo jornal online, não há nenhuma referência ao suposto excesso de violência policial. Não se procura explicar, por exemplo, que o jovem apreendido não é conhecido pelo apelido divulgado pela polícia como sendo do traficante procurado. Ou seja: possivelmente não se trata da mesma pessoa. Por outro lado, o blog da Rádio Comunitária Alternativa FM vem recheado de depoimentos de participantes do protesto – e de transeuntes contra e a favor da manifestação.

Em tempos de luta pela democratização da comunicação, é importante perceber o pseudodistanciamento da mídia corporativa, contraponto o texto do portal com o do blog da comunidade.

Muitos manifestantes tenham saído feridos. O jovem apreendido continua atrás das grades. Mesmo assim, não foi publicada nenhuma linha sobre o assunto nos jornais impressos. Também não houve cobertura das emissoras locais de televisão.

O que precisaria ter acontecido para que esse fato tivessem enfim se tornado notícia?