Por Rebecka Santos e Rosa Sampaio

Em um país racista como o Brasil, o dia da Consciência Negra é todo dia. A resistência é cotidiana e quando no jornal, a notícia estampa mais um/uma negro/a morto/a, vítima de racismo, seja ele institucional ou não. Simbolicamente, o país celebra este marco no dia 20 de novembro, como forma de fortalecer a luta diária da população negra, que hoje tem voz e vez; e que cada vez mais vem ocupando espaços que até então eram negados e são seus por direito. O Ombuds PE analisa como os principais jornais locais e nacionais deram destaque para esta data em suas capas.

Iniciando pelo estado, o Diário de Pernambuco trouxe em sua primeira página a chamada “Preconceito racial tem reflexos na saúde”, no qual enfatiza que “o preconceito racial ainda é uma barreira tanto no acesso quanto na garantia plena dos cuidados da saúde da população negra no Brasil.” A Folha de Pernambuco enfatizou a programação dedicada para celebração da data em Pernambuco. Enquanto isso, o Jornal do Comércio não dedicou nada em sua capa.

Já no âmbito nacional, a Folha de São Paulo colocou uma pequena chamada para a página “Mercados”, no qual o título na capa é “Talentos negros”, trazendo a colocação do Instituto Ethos sobre a dificuldade de inserir a população negra no mercado de trabalho, enquanto o racismo pautar o recrutamento. O jornal O Globo retratou a data na foto de Conceição Evaristo e o título “A canção de Conceição”, chamando atenção para o seu novo livro “Canção para mimar menino grande.” Em contraponto aos dois jornais, o Estadão não elencou nada em sua capa sobre o dia. Vale lembrar que em São Paulo e no Rio de Janeiro a data é feriado.

No Brasil, a população negra foi historicamente silenciada e invisibilizada, o racismo é negado, velado e esta aparente democracia racial impede o debate e camufla práticas criminosas contra negros e negras. A importância de pautar a Consciência Negra na mídia tradicional significa a urgência do debate a respeito das questões raciais no Brasil. É parte do Direito à Comunicação o estímulo à reflexão para a diversidade, apresentando uma variedade de formatos e gêneros, indo além do que é oferecido corriqueiramente.

Os veículos de comunicação podem e devem contribuir para chamar atenção do racismo ainda presente na nossa sociedade e estimular práticas antirracistas entre os seus leitores/as, espectadores/as e  ouvintes. A importância que a mídia dá a uma pauta se reflete na forma como esta foi anunciada, se está nas capas dos impressos, nas manchetes da internet, dos telejornais e das rádios ou não; a posição que foi colocada na capa, a imagem, a foto, a narrativa escolhida pela edição. Nesta análise, percebemos o quanto a visibilidade e a narrativa positiva sobre a população negra ainda são desafios  para a mídia e para boa parte da sociedade brasileira.

 

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Rosa Sampaio

Jornalista do Centro de Cultura Luiz Freire

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