Ao sair de Casa Amarela e subir a ladeira de acesso ao Alto José do Pinho, os caixinhas espalhados em postes pelas ruas e largos do bairro anunciam: “Rádio comunitária Alto Falante: serviço de utilidade pública, social e cultural”. E, tome música, informação, troca de ideias, reclamações, recados para o vizinho, para vizinha e pro coração.  Há oito anos, a difusora, que funciona como rádio poste vem formando novos comunicadores e integrando a comunidade. E, para o mês de novembro já prepara um campeonato. O Torneio Misto de Futebol para as Crianças contará com a participação da companhia de teatro do Alto José do Pinho e terá o dia todo de atrações, entre elas, as musicais.

A data do evento é 07 de novembro. Aberto ao público, será realizado durante todo o dia, próximo à difusora ( Rua Severino Bernardino, 350, próximo ao terminal de ônibus do Alto José do Pinho).  “O endereço é na frente da casa de Cannibal”, diz Celo Brown , baterista da banda Devotos, informando o ponto de referência. Brown é um dos fundadores da rádio , junto com André Dark (vocalista da Nanica Papaya), Aílton Peste ( baterista da Matalanamão) e Neilton, guitarrista da Devotos e um dos idealizadores do projeto.

Do coração do Alto, perto do terminal do ônibus, no final do corredor do pequeno mercado público, pilotando a ‘nave’, como define Celo, lá está a nova geração da difusora: Anderson Ricardo. O jovem conta que chegou na rádio por meio de uma feira de conhecimento organizada na época que estudava na escola Maria Tereza. Unidade de ensino público, localizada  na comunidade.

“Pedimos pra divulgar a feira de conhecimento e Ronrona (Adilson Ronrona integrante da Matalanamão) montou os equipamentos na sala de aula e nos corredores da escola, de onde retransmitimos o evento e entrevistamos várias pessoas”, afirma. O estudante acrescenta que Ronrona perguntou  se Anderson e os demais colegas envolvidos na cobertura, não gostariam de fazer uma oficina de rádio.  Momento em que aceitaram o convite, conta o jovem, diretor geral da Alto Falante, que comanda o programa Escola  Jovem, sobre cidadania e meio ambiente, em parceria com a escola.

Voz política

Diferente de Anderson e alguns colegas, “muitos jovens querem ser locutor pra mandar recado pra namorada, ficar tocando CD e o perfil da rádio não é esse. É preciso passar informação, também”, diz o diretor técnico Leonardo Dinho. Segundo o Dinho da Rádio, os vários jovens que recebem oficina e começam a atuar na difusora, passam a desenvolver um outro olhar em relação a comunidade. “ Passam a enxergá-la como uma coisa deles”, explica.

“É notória a mudança de comportamento dos jovens. Eles passam a buscar mais informações, participar das questões do bairro. É importante estimular essa juventude. Isso integra o pessoal com a comunidade quando eles vêem que têm voz.”, completa  Brown.

Hoje, a Alto Falante conta com 17 locutores, entre jovens e veteranos que se alternam em programas semanais e, em disponibilidade, atuando de forma voluntária. Segundo Celo, houve época “de sobrar locutor e faltar espaço na programação”. Mas, para o músico, essa alternância de quadros é natural. “Muitos colegas conseguem um trabalho no horário do programa e acabam se desligado da rádio ou colaborando de uma outra forma”. De acordo com Brown, há jovens egressos da Alto Falante que estão em outras praças como locutores em supermercado, lojas e em campeonato de Skate, o oficial do estado.

Para todos

Além da agenda cultural , informes  e programas dos jovens, na grade de programação há os infantis, as resenhas esportivas, o de clássicos do samba (capitaneado pelo roqueiro Cannibal ), a agenda cultural do movimento Afro, o das parcerias com as escolas e o posto de saúde, o programa do conselho da associação de moradores – apresentado  por um dos tocadores de cavaquinho do bairro e presidente da associação, Ney do Cavaco e o Graves, Médios e Agudos, de André Dark. O  vocalista do Nanica Papaya, que divide a diretoria de finanças com Celo Brown, diz que a atração é uma miscelânia.

O ‘Graves’, conforme André,  tinha um pouco de tudo. Contava com advogado, que tirava dúvidas da comunidade, entrevistas com gestores locais e serviços de utilidade pública, além de muita música cubana : “de Célia Cruz à Buena Vista Social Club”, diz. De acordo com o músico, muitos programas foram saindo do ar e alternando com novos. Também foi reduzida a carga horária da difusora.

Se a equipe foi se renovando, não se pode dizer o mesmo dos equipamentos que datam da fundação e já estão entrando em pane, segundo Leonardo Dinho. “Neilton vive concertando as máquinas, que já estão muito gastas. Precisamos de novos equipamentos. Computadores novos, mesa de som, entre outros”, explica.

Segundo a equipe da rádio, a programação é interrompida ao meio dia para retornar às 14h. E os programas da noite ficaram mais curtos. Tudo como forma de ainda preservar os aparelhos.  O desafio agora, segundo Brown , é conseguir os recursos para comprar os aparelhos e encontrar uma sede  para a Ong Alto Falante que administra a difusora.

(Atualizada em 19.10.10)

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