O julgamento no Supremo Tribunal Federal que vai decidir sobre a constitucionalidade da demarcação em área contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol volta a ser notícia nos jornais de hoje, em Pernambuco, especialmente no Jornal do Commercio e no Diário de Pernambuco. Poucas vezes, as matérias de agência se diferenciam no seu conteúdo ou foco. Hoje, elas se diferenciam bastante. O Diário traz a polêmica que o julgamento envolve e a diversas vozes sobre o assunto.

Já a manchete do Jornal do Commercio diz: “STF discutirá direitos de índios aculturados” . Aculturados? Quem disse isso? O STF? O governo? O que significa ser aculturado? Todos nós sabemos que esse termo, no mínimo, é polêmico e é bastante questionado nos dias de hoje. No site amazonia.org.br, Clarice Cohn, antropóloga e professora da Universidade Federal de São Carlos, explica que “ para a antropologia contemporânea, não há índios aculturados porque não há índices ou medidas de cultura, não se “perde” cultura.

Em termos jurídicos, desde a Constituição de 1988 e a Convenção 169 da OIT, o Brasil reconhece os índios como cidadãos plenos.

O que é mais agravante na matéria é vincular a questão da Raposa Serra do Sol a direitos de “índios aculturados”, quando o que se está discutindo são poder, estrutura fundiária, concepções de desenvolvimento. Além disso, não há na matéria fala de nenhum índio sobre o assunto. Mas, o jornalismo não escuta os dois lados? Essa matéria de Agência foi veiculada em vários veículos, mas nenhuma delas traz na manchete o termo “índios aculturados” e elas focam na demarcação da terra e na definição de critérios.

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