A TV Pernambuco, órgão do Governo do Estado ligado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma), promoveu na última segunda-feira (19), no auditório do Porto Digital, o segundo encontro preparatório ao seminário que realizará para apresentar à sociedade o diagnóstico e as propostas de modernização técnica, operacional e de conteúdo da tevê.

O evento foi transmitido por meio de videoconferência para participantes de Caruaru e Salgueiro. O encontro, que teve como tema Novas Tecnologias & TV Pública, foi aberto pelo novo secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Anderson Gomes, que reafirmou a decisão do governo Eduardo Campos de promover as mudanças na TV,  reivindicadas pelos movimentos sociais. Em sua explanação, o gerente técnico da emissora, Wellington Sampaio apresentou os problemas da emissora nessa área.

Segundo Sampaio, os transmissores possuem capacidade de “cobrir” boa parte do Estado, mas os equipamentos estão obsoletos e avariados. Para garantir que o sinal chegue à Capital e ao interior do Estado, a TV Pernambuco terá de recuperar o sistema analógico, o que se constitui um dilema, uma vez que o sistema brasileiro de televisão já está migrando para o digital.

O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), cientista-chefe do César-Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife e um dos fundadores do Porto Digital, Silvio Meira, traçou um panorama da evolução tecnológica, o perfil da tevê digital no mundo e as possibilidades apresentadas pela convergência tecnológica. “Nós somos as conexões de uma periferia que assumiu o controle. Somos agentes independentes em contexto, competindo e cooperando para sobreviver. O público virou comunidade, embora a periferia ainda não esteja habilitada para reproduzir o que produz”, disse.

Sobre a TV brasileira, Sílvio Meira avaliou que era preciso renovar a estrutura, pois o sistema analógico estava exaurido, mas criticou o modelo digital escolhido pelo Ministério das Comunicações. O modelo é um sucesso para os propósitos que foram colocados – o de impedir a reforma agrária no ar -, mas não vai permitir a interatividade” Para a TV Pernambuco “ é preciso pensar em um modelo compatível com o futuro e não bancar a irresponsabilidade de fazer um planejamento que não leve em conta todas essas mudanças”, recomendou.

Ao discorrer sobre o objetivo dos encontros realizados pelo Grupo de Trabalho da TV, o presidente da emissora, Roger de Renor, destacou a proximidade com o Porto Digital e a possibilidade de uma parceria. “Não queremos seguir um modelo antigo, não faríamos parte de um projeto se fosse para manter a velha televisão. A gente vive essa utopia, explicou. O próximo encontro acontecerá no dia 27 de abril, no auditório do Porto Digital.

Texto : Inamara Mélo ( Grupo de trabalho TV Pernambuco)

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