No último dia 30 de setembro, completaram-se exatos 200 dias do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O atentado aconteceu no dia 14 de março e a perícia confirmou que os tiros foram disparados por uma submetralhadora 9mm, que era de um lote vendido para a Políc ia Federal de Brasília, em 2006. Mas, apesar de tanto tempo, pouco se repercutiu sobre a investigação na imprensa brasileira, principalmente em Pernambuco e, durante o mês de setembro, poucas matérias foram publicadas denunciando a falta de respostas.

Na Folha de Pernambuco, a mais significativa fez parte da coluna “Mulheres em Movimento”, da historiadora Carla Batista, publicada no dia 13 de setembro de 2018, com o título “Seis meses depois: Quem matou Marielle e Anderson?”. O texto nos traz uma reflexão sobre a falta de respostas que entorna o caso e sobre a impunidade que o permeia. No dia seguinte, uma matéria reproduzida da Folhapress foi publicada com a mesma temática, servindo como uma espécie de dossiê sobre tudo o que foi falado do crime. Dez dias depois (dia 23), a Folha publicou uma matéria com a declaração do secretário de segurança do Rio de Janeiro, general Richard Nunes, que não descarta a possibilidade de encerrar o ano sem concluir a investigação sobre a morte de Marielle.

No Jornal do Commercio, no mês de setembro houve apenas publicação de duas matérias sobre Marielle e Anderson. A primeira, intitulada “Seis meses após assassinatos, caso Marielle aguarda solução”, com um histórico dos eventos que tiveram visibilidade da mídia após os seis meses do crime, que foi publicada no dia 14 de setembro de 2018. E onze dias depois, foi publicada uma matéria sobre uma homenagem feita para a vereadora por um artista português, no Panorâmico de Mosanto, em Lisboa.

O Diario de Pernambuco publicou seis matérias que envolviam o nome da vereadora, quatro delas especificamente sobre o desenvolvimento do caso. As duas mais significativas foram “Seis meses após assassinatos, caso Marielle aguarda solução”, que assim como os dois outros jornais anteriormente, fez um histórico de todo o caso na mídia, no dia 14 de setembro de 2018; “Caso Marielle: Entidades denunciam o Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU”, onde entidades de Direitos Humanos do Brasil fizeram uma denúncia sobre o descaso do Governo Brasileiro nas investigações do assassinato, publicada no dia 18 de setembro de 2018.

Pautar o desenrolar de um crime, como o de Marielle e de Anderson, crime político de repercussão nacional e internacional, deveria ser prioridade para os veículos de comunicação comprometidos com a verdade e com o interesse público, e em especial para o jornalismo investigativo. Percebemos em todas as matérias analisadas a apatia da mídia na cobrança de respostas para o caso, se limitando a noticiar o histórico do crime.

Edição: Rosa Sampaio

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